quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A PRAÇA DO IDOSO - VISTA ALEGRE DO ALTO


A PRAÇA DO IDOSO

PARTE I

POR.: NÚBIA ANDRADE DE MATOS CHAVES
PEDAGOGA E ESPECIALISTA EM GERONTOLOGIA 

O segundo semestre de 2010 na cidade de Vista Alegre do Alto-SP, foi marcado por uma grande conquista, na Área de Saúde e Atenção ao Idoso.
 Eu como Gerontóloga e residente nesta cidade há aproximadamente cinco anos, não posso deixar de registrar o meu sentimento diante desta aquisição.
Estou me referindo “A PRAÇA DO IDOSO”, projeto doado pelo Dr. Egídio Lima Dórea:


Dr.: Egídio Lima Dores, possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia (1989), doutorado em Nefrologia pela Universidade de São Paulo (1998) , residencia-medica pela Universidade de São Paulo  (1991) e residencia-medica pela Universidade de São Paulo (1993) . Atualmente é MÉDICO da Universidade de São Paulo e Docente da Universidade Cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina , com ênfase em Clínica Médica.  
                                PLATAFORMA LATTES.




 FOTO TIRADA EM: 12 DE SETEMBRO DE 2010 (a própria)

Ao intensificar minha pesquisa sobre a Praça do Idoso, percebi que vários projetos nesta mesma linha, já foram implantados aqui no Estado de São Paulo, e, até a data da pesquisa, 32 municípios já haviam aderido e assinado o convênio para a construção do referido projeto.
Em Vista Alegre do Alto – SP a Praça do Idoso, fica em uma área privilegiada, ao lado do Centro de Fisioterapia e Hidroterapia Municipal, uma área ampla, porém de péssima iluminação, conforme mostram as fotos.



ENTRADA   PRINCIPAL  DA  PRAÇA    DO  IDOSO














A Praça do Idoso compõe-se de várias atividades/exercícios e placas autoexplicativas para a realização segura dos exercícios de prevenção. Não existe um instrutor para a orientação sobre o uso de equipamentos, foram colocadas apenas placas informativas ao lado de cada aparelho, (falaremos sobre esse assunto mais à frente).        
                            Atividades:

Estação Barras Paralelas: Facilita a marcha e melhora o equilíbrio.














Estação Senta-Levanta: Fortalece os membros inferiores e facilita o deslocamento.














 Estação Rampa-Escada: Aumenta a independência para atividades de vida diária e facilita o deslocamento.
 

















Estação Ergometria: Melhora/mantém a flexibilidade e o movimento das articulações das pernas.













Estação Placa Giratória: Melhora/mantém a flexibilidade e o movimento do punho e do antebraço.












Estação Escada para Dedos: Melhora/mantém a mobilidade dos ombros e a extensão do braço.






















Existe um espaço em processo de construção, sabemos que outros instrumentos ainda estão sendo implementados, vamos aguardar o resultado, mas, já é possível percebemos a alegria dos freqüentadores da referida praça.
No entanto, o que mais me chamou mais a atenção no primeiro momento desta observação, é que podemos perceber uma relação intergeracional muito forte e enriquecida neste espaço, Acreditamos que aqui seja um espaço propício a Co-educação entre gerações. Embora esta praça tenha sido projetada para o idoso, em nossa cidade, acredito que isso não será possível. Primeiro por se tratar de um espaço totalmente aberto e sem controle da entrada e saída de pessoas, e segundo, por que muitos dos idosos desta cidade são responsáveis diretos pelos netos.
                                            Esta é minha mãe e meu sobrinho.

Isso é extremamente positivo a meu ver, pois essa relação constante entre idosos e crianças em uma ambiente de descontração total, só poderá estreitar ainda mais as relações entre ambos, propiciando e/ou intensificando uma relação de respeito mútuo, confiabilidade, cuidado e  troca de experiências.
Em se tratando de cultura e co-educação de gerações, Paulo de Salles, é muito enfático ao dizer que:
“A começar pela própria presença física das crianças ali, cara-a-cara com os avós. Isso os impulsiona a fazer alguma coisa, que os retire daquele cenário para um outro, mais promissor. De posse de todos as forças terrenas imagináveis e conclamando auxílio às forças do céu, os velhos acabam – de um jeito ou de outro – enfrentando com tal vigor a adversidade que eles próprios se interrogam, espantados, como isso tudo se escondia em sua interioridade”.

Para ele, desta forma, as crianças pouco a pouco vão, mesmo que sequer o saibam, forçando os velhos a se transformarem. Ora são levados a revirar o funda da alma, avivando práticas esquecidas, memórias apagadas, conhecimentos relegados para trás...Ora são levadas por mãos infantís a conhecer novos brinquedos, outros hábitos, maneiras diferentes, programas nunca experimentados...E no nosso caso em particular, na Praça dos Idosos, eles orientam as crianças e mostram a maneira mais eficiente de operar o brinquedo, pois, nem sempre é a força e sim a maneira de como lidar com ele.
Os avós educam, portanto, os netos e, ao mesmo tempo, embora de modo diferente são reeducados por essas crianças. Quer dizer, se há uma socialização, ela precisaria ser vista não de modo unívoco – dos avós para os netos – e sim mediante relações recíprocas, num movimento que a todo instante constrói ou redefine a feição dos sujeitos, física e simbolicamente, conclui Salles.
Sem dúvida, este é um ambiente propicio para desenvolver-se fisicamente através das diversas brincadeiras, bem como, favorável a co-educação entre gerações, explicitada acima.
 

PARTE II

Um mês depois das primeiras fotografias e de ter escrito essas linhas, que você acabara de ler, eu havia retornado ao local mais quatro vezes, e minhas suspeitas se confirmaram, a Praça do Idoso, transformou-se em Praça para TODOS, em especial, para as crianças e seus respectivos acompanhantes, em sua grande maioria mulheres.
E, para a minha alegria e para de todas as crianças acompanhantes dos idosos, o projeto foi ampliado, e várias atividades infantis implementadas nesse mesmo espaço.

E aqui podemos ver um retrato bem alegre:




 
No que se refere à questão de gênero, o idoso masculino é inserido neste contexto, em número bem menor. Como eu disse anteriormente, o parque foi criado pra idosos em um ambiente totalmente aberto, mas, o número de homens que freqüentam ativamente é consideravelmente bem menor. Em destaque temos as mulheres, crianças de ambos os sexos em variáveis idades, e os curiosos de plantão.



Antes da aquisição da Praça do idoso, não costumávamos ver uma concentração de mulheres nas ruas, ou em algum espaço em particular, exceto quando se tratava de um evento em comum. Mas, hoje vale a pena dar uma volta num fim de tarde, na praça do Idoso.


 
Eu trazia comigo essa preocupação em relação às mulheres desta cidade, pois, os homens idosos, se concentram diariamente nos bancos na rodoviária, bem como nos bancos dos jardins, para jogarem.  Podemos observar constantemente essa prática cooperativista e, em grande quantidade de pessoas. Ali eles jogam, fumam, conversam, contam piadas, fofocam, comentam sobre as meninas que passam nas ruas, dão risadas, se divertem e preenchem o tempo livre.



Considerando tudo o que foi dito acima, pessoalmente estou feliz por perceber que as mulheres que se encontraram neste espaço amplo, e podem brincar, atualizar as novelas, excitar-se e também dar boas risadas.

 

No entanto, eu fico preocupada com o que o excesso de atividades pode vim a causar nesses idosos, pois, embora haja várias placas informativas de como utilizar cada aparelho, o idoso (em grande parte) é acometido por uma redução considerável na visão e com a precariedade da iluminação, fica mais difícil ainda, uma leitura e interpretação correta das placas.
  Na minha concepção, falta um profissional especializado/habilitado, para estipular a quantidade e o tempo de exercício de cada idoso, levando em consideração as peculiaridades de cada um. Um projeto deste tipo, pode funcionar 100% em Madri - Espanha, mas, no caso de Brasil, a população não possui hábitos saudáveis sobre atividades físicas e isso requer uma maior atenção, por parte do Poder público Municipal, em estar somando também neste sentido.

 

Mas, vale ressaltar que o ideal para esse contexto seria o profissional da educação física gerontológica, que segundo Drumond[1], ainda encontra-se em processo de construção. E talvez por isso, ainda exista muitos desafios a serem enfrentados.
Segundo MATOS (2004) As maiorias dos que estão velhos, hoje, estão dando suas primeiras investidas em atividades físicas, isso requer muita habilidade por parte do profissional de educação física, o qual deve respeitar as individualidades de cada um.
É necessário ainda, o respeito às limitações e ao tempo próprio de cada pessoa. Resgatamos aqui, a questão da sensibilidade, pois é ela que fará vê a verdadeira origem do gesto, do olhar, da memória histórica e cultural, bem como, da aceitação parcial ou total e/ou a recusa definitiva por parte do indivíduo idoso as quaisquer modalidade a ele apresentada. Desta forma será possível se alcançar um bom desempenho físico com autoconfiança, satisfação, bem-estar psicológico e interação social.
E, por falar em desafios, acreditamos que um dos desafios da educação física gerontológica, e, provavelmente o maior deles é o de desenvolver um grau de autonomia e segurança, a possibilitar que este “indivíduo idoso” proveja suas próprias atividades físicas. Inclusive essa é a grande proposta da Praça do Idoso.  
Reforçando ainda sobre a Educação Física Gerontológica, nos lembra Valderi[2], que esta deve apresentar uma proposta que atenda aos anseios, as necessidades físicas, cognitivas, afetivas e sociais, dos diferentes indivíduos, bem como, a de trazer-lhes o perfeito equilíbrio entre o corpo e a mente.



Essa é uma guerreira, freqüentadora assídua da Praça do Idoso, em depoimento ela diz que foi a aquisição mais importante e valiosa que o Município já adquiriu, e, faz atividades constantes e de maneira bem exagerada.
Ela está sempre cercada por crianças, senão netos, as vizinhas com filhos e netos a fazem companhia.





Considerações Finais:

Sendo alguns dos objetivos da Praça do Idoso, a:
·                    Melhoria do equilíbrio e da marcha;
·                    Fortalecimento de musculatura proximal de membros inferiores;
·                    Melhoria da amplitude articular;
·                    Aumento de flexibilidade muscular.
Reafirmamos aqui a importância da pratica da educação e/ou atividade física para o individuo idoso, atualmente denominada de educação física gerontológica, enquanto espaço de auto-conhecimento, expressão corporal e integração social. Nunca é demais lembrar que esta deve ser acompanhada por um profissional que possua um caráter extremamente cuidadoso ao lidar com a corporeidade dos idosos, afim de que haja um resgate da forma de apreciar, admirar, tocar e perceber o próprio corpo. Este seria o êxtase do bem-estar total, da felicidade e, sem duvida, da longevidade.


E para concluirmos nossa observação, nada mais apropriado que as sábias palavras de   Madre Tereza de Calcutá, grande “Exemplo de Vida” para todos nós.

Tenha sempre presente que a pele se enruga...
O cabelo embranquece,
Os dias convertem-se em anos....
Mas o que é importante não muda...
A tua força e convicção não tem idade.
O teu espírito é como qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.
Enquanto estiver viva sinta-se viva.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas...
Continue, quando todos esperam que desista.
Não deixe que enferruge o ferro que existe em você.
Faça com que, em vez de pena tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.
Mas nunca se detenha!!!!
FONTE:

http://www.webartigos.com/articles/51712/1/PRACA-DO-IDOSO---VISTA-ALEGRE-DO-ALTO/pagina1.html

- Folha de S. Paulo, 11/out./2008. (Equipada com aparelho de ginástica, 1ª. Praça do Idoso é aberta na capital de SP, reportagem de Talita Bedinelli, p. C5);

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/nubmatos
- O Estado de São Paulo, 11/out./2008. (Praça do Idoso é inaugurada em São Paulo, p. C14);


http://www.infoeducativa.com.br/index.asp?page=artigo&id=381

http://www.infoeducativa.com.br/index.asp?page=artigo&id=384

http://lampiaoatomico.blogspot.com/2010/11/por-nubia-andrade-de-matos-publicado.html

http://www.webartigos.com/articles/50881/1/EDUCACAO-E-GERONTOLOGIA-SOCIAL/pagina1.html

Salles Oliveira, Paulo.  Cultura e Co-Educação de Gerações nas Classes Populares.  Congresso Internacional Co-Educação de Gerações SESC São Paulo | outubro 2003

 

 

 

                      


[1] ALVES JÚNIOR, Edmundo de Drumond. Por uma Educação Física de Qualidade para os idosos. X Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte. Anais. Goiânia: CBCE, 1997.
[2] VALDERI, Érica. A velhice segundo Freud amparada pela Educação Física Gerontológica. Revista Virtual E. F. Artigos. Natal, V.2, nº 9, Set. 2004.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

SOCIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO


Matos, Núbia Andrade de. Artigo sobre Sociologia do Envelhecimento

Introdução


A Gerontologia é de caráter multidisciplinar, pois o estudo da velhice e dos processos do envelhecimento não se resume apenas aos aspectos demográficos, sua complexidade exige que seja estudado por diversas disciplinas, sob múltiplos ângulos.
A Gerontologia e a Geriatria desde sua origem mantêm um relacionamento muito próximo. Entretanto, vale salientar que  enquanto a geriatria é uma especialidade médica que trata das doenças ou dos doentes idosos, preocupando-se em prolongar a vida com mais saúde; a Gerontologia é a ciência que estuda o processo de envelhecimento, cuidando da personalidade e da conduta do idoso, para isso, leva em conta todos os aspectos ambientais e culturais do envelhecimento. Para resumir, podemos dizer que a Geriatria estuda as doenças da velhice e seu tratamento, enquanto a Gerontologia é uma ciência médica e social que estuda não apenas as características da velhice enquanto face do desenvolvimento humano, mas também o processo e os determinantes do envelhecimento, concluiu REBOUL/92.
Podemos incluir também em seu bojo, as diversas áreas científicas como: a biologia, psicologia, antropologia, sociologia, economia, administração, política, história, neurologia, direito e demografia da velhice e do envelhecimento, além dessas áreas podemos citar a psicologia, pedagogia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, odontologia e o serviço social.








Gerontologia Social



A velhice e o envelhecimento percorre toda a humanidade e têm estado em pauta desde a antiguidade, através de obras literárias e tratados eruditos, como por exemplo a obra De Senectude, de Cícero, escrita acerca de 2000 anos (GOLDSTEIN p.9.2001) Na bíblia percebemos também a valorização no livro de Provérbios, destinada aos velhos, quando assinala que  “os cabelos brancos são uma coroa de honra” . Mas, o envelhecimento só emerge e vem se consolidar enquanto fenômeno social de alta relevância nesse século, através da Gerontologia.
A Gerontologia pode ser assim classificada:
a-     Gerontologia básica – Ciência que estuda o processo de envelhecimento, enfocando a biofisiologia, a genética, a imunologia e o envelhecimento a níveis celular e subcelular.
b-     Gerontologia social – Com a evolução dos tempos, e o aumento da longevidade, houve a necessidade de um maior atendimento aos idosos, daí o surgimento de um ramo da Gerontologia - a Gerontologia social.
O temo  da  Gerontologia foi criado através da junção das palavras gregas: gero = velho e lógia/digno = estudo/ciência, em 1903 por Elie Metchnikoff, médico húngaro sucessor de Pasteur, como a ciência que estuda a velhice; em 1909 surge o nome Geriatria denominada a ciência que estuda a velhice em termos médico-sanitários, criado pelo médico austríaco Ignataz L. Nascher. Porém, foi em 1922 que houve a sistematização do saber nessa área, quando o psicólogo Stanlet Hall publicou o livro Senescence, the last half of life, contradizendo a crença de que a velhice é simplesmente o reverso da adolescência. Como é de praxe em todas as áreas do saber científico, vários obstáculos tiveram que ser superados, para que se chegasse ao processo observado hoje. Podemos afirmar que o atraso na construção do conhecimento em gerontologia pode ser atribuído a:
1-     A supervalorização da geriatria sobre outros campos da Gerontologia.
2-     A dificuldade da Gerontologia reafirmar como ciência e definir como campo de atuação e construção de conhecimentos.
3-     A resistência à realização de investigação com caráter interdisciplinar. (cf. Papaléo 2002 p.7).
Em 1942 foi criada a American Geriatric Society e em 1946 a Gerontological Society of América e a Division of Maturity and Old Age da American Psychological Association, que comprova o interesse sistemático pela velhice, onde já se percebia uma intensificação desse processo de envelhecimento populacional nos Estados Unidos, e a partir dos anos 50 a França, a Inglaterra e a Alemanha também passa a vivenciar esse processo com um aumento significativo na proporção de pessoas idosas em suas populações. Tais alterações decorrem da conjugação de vários fatores, dentre os quais, os mais relevantes foram: a diminuição nas taxas de natalidade, em virtude de mudanças econômicas e culturais; o vazio populacional nas faixas correspondentes aos adultos, principalmente masculinos, em idade reprodutiva, por causa da II Grande Guerra, e os avanços da Medicina e na qualidade de vida da população, que provocaram um aumento na longevidade das pessoas (Lehr, 1988).
Em se tratando de Brasil, foi a partir dos anos 60 que o segmento de idosos sofreu um rápido aumento, onde a base da pirâmide populacional vem se estreitando nas últimas décadas. Tal fato se explica pelas novas conquistas no campo da medicina preventiva e curativa; pelo avanço da tecnologia; pelo simultâneo decréscimo das taxas de natalidade e pela diminuição acentuada da mortalidade infantil. Segundo previsão da ONU – Organização das Nações Unidas, em 2020 ocuparemos o 6º lugar no ranking mundial em população velha, e esse cenário impõe a necessidade de enfrentar o problema das condições de envelhecimento que ocorre de forma desigual em nosso país.
Essa temática provocou uma preocupação generalizada em diversos segmentos profissionais e fez com que, nos últimos anos proliferassem no Brasil vários programas e associações para velhos, como o Movimento dos Aposentados, os Programas promovidos pelo SESC – Serviço Social do Comércio, as Universidades da Terceira Idade ou com Núcleos da Terceira Idade, a ANG – Associação Nacional de Gerontologia e a SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. As contribuições advindas dos núcleos de estudos e pesquisas, dos programas e dos profissionais dedicados a essa área, resultaram num crescente progresso o qual merece comemoração.
Diante do exposto, podemos concluir que a Gerontologia Social é uma área de rápido crescimento e que tem grande necessidade de avaliar e direcionar sua produção constantemente, isso devido ao seu caráter multidisciplinar, o que também congrega maior riqueza de conhecimentos.




Conclusão



Quem pensa que lugar de idoso é em casa, descansando, pode começar a mudar de idéia. Pessoas acima dos 60 anos estão cada vez mais ativas e saudáveis. A Atenção pública antes voltada apenas aos jovens e adultos já percebeu a necessidade de se criar, o mais rápido possível, políticas sócias que prepare a sociedade para esse novo fenômeno, denominado de revolução demográfica ou revolução da longevidade. Inclusive como resposta do Estado Brasileiro, a constituição de 1988 deixou  claro a preocupação que deve ser dispensada ao assunto, quando colocou em seu texto a questão do idoso, o que definiu a Política Nacional do Idoso.  Depois da criação dessa Política através da Lei de nº 8.842 de 04 de janeiro de 1994 e de seu Regulamento de 03 de julho de 1996 foi instituído o Estatuto do Idoso que passa a vigorar a partir desse ano.
Mesmo assim, ainda existem muitos resquícios de preconceitos e discriminação relacionados aos velhos. Para tanto, é necessário que toda a sociedade e principalmente o próprio idoso se mobilizem afim de mudar esse panorama negativo que temo hoje reservado ao velho.







Referência Bibliográfica


GOLDSTEIN. Lucila L, A pesquisa gerontológica no Brasil. Especiaria – Revista  da UESC, 2001. Ano IV, nº 7, pág. 8 – 16.

GOMES,FA. A et.al Manual de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro EBM. 1985.

MORANGAS. Ricardo M, Gerontologia Social: Envelhecimento e Qualidade de Vida. Paulinas, pág. 17 – 37.

SALGADO. M, Uma Nova questão Social. São Paulo: Sesc / Ceti.

VERAS. Renato Peixoto, Terceira Idade: Alternativas para uma sociedade em transição. UNATI, pág. 35 – 46. Rio de Janeiro: 1999.

TEMA: CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS EM UM HOSPITAL FILANTRÓPICO DE ITABUNA - BA

TEMA: CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA E EPIDEMIOLÓGICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS EM UM  HOSPITAL FILANTRÓPICO DE ITABUNA - BA
POR:  MAIA, Keila
                                                                             COUTO, Raquel
                  SILVA, Priscilla
                                       MATOS, Núbia Andrade de

INTRODUÇÃO:

     Um número expressivo da população brasileira está envelhecendo. Soma-se 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade no país, o que representa 8,6% da população brasileira, segundo censo IBGE /2000. O processo do envelhecimento aumenta a proporção de doenças crônico-degenerativas para os indivíduos idosos, os quais  necessitam de assistência qualificada especializada e a longo prazo. E como nos lembra Veras (2003), a maior utilização do serviço de saúde é feita pelo idoso, gerando elevação de custos.
     O presente estudo surgiu através de reflexões da disciplina Demografia e Epidemiologia do Envelhecimento do Curso de Especialização em Gerontologia Social pela Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC. Estabeleceu-se como objetivo caracterizar do ponto de vista demográfico e epidemiológico os idosos internados em um hospital filantrópico da cidade de Itabuna-Ba, que foram admitidos e obtiveram alta no período de 01 a 15 de fevereiro de 2004.
     A pesquisa de caráter  quanti-qualitativa foi realizada em fevereiro de 2004, através de consulta ao livro-ata  de registro das internações e prontuários do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (SAME) do referido hospital, onde seguimos um roteiro previamente estruturado contendo as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil, procedência, diagnóstico e doenças associadas, tempo de permanência, reospitalização, tipo de convênio, alta/óbito, motivo da internação/diagnóstico.
     A instituição palco de nossa pesquisa, foi um Hospital filantrópico de Itabuna/Ba, de médio porte que nesse dado momento, conta com 147 leitos e atende a clientela do SUS e Convênios particulares, deste  município  e de localidades circunvizinhas. Oferece serviços no Pronto Atendimento, Pronto Socorro, Clínica Médica e Cirúrgica, Centro de Terapia Intensiva e  Nefrologia.

Resultados e Discussão:

     A amostra pesquisada constituiu-se em 46 idosos (36%)   de um total de 125 clientes internados no período de 01 a 15 de fevereiro de 2004. Houve prevalência da faixa etária de 71 a 80 anos (46%), enquanto de 60 a 70 anos (39%) e de 81 anos a mais (15%).
     A proporção de idosos do sexo masculino e feminino foi equivalente  em 50%, E a maioria dos homens eram casados (38%), entre as mulheres proporção de idosos do sexo masculino e feminino foi equivalente em 50%, e a maioria dos homens eram casados (38%) e entre as mulheres 13% eram viúvas e 17% eram solteiras.
      Esses dados corroboram com estudos feitos por Berquó (1996) sobre envelhecimento populacional, no qual há prevalência de viuvez entre mulheres idosas.
       Os dados mostram ainda que 65% dos entrevistados eram procedentes do município de Itabuna e 35% das cidades circunvizinhas, exposto no GRÉFICO 2.
Quanto ao tipo de convênio,  52% foram assistido pelo Sistema Único de Saúde- SUS e 48% por convênios particulares.

Observou-se que o tempo de permanência  na instituição foi em média de  4 a 5 dias, tendo uma quantidade relevante de reospitalização. Nesse sentido, Veras(1996) cita que o gasto do governo na hospitalização com o idoso é três vezes maior que com a criança. A média de duração do internamento para os idosos  são 7,1 dias com custo de 61 reais, enquanto para criança gasta-se 11 reais num período de 5,5 dias.
      Quanto aos diagnósticos que foram registrados  em prontuários, há prevalência de problemas cardiovasculares (hipertensão arterial, diabetes mellitus) e câncer em 19%, seguido de  problemas respiratórios em 8,7% e proporção correspondente a 8,7% cujo diagnostico não foi especificado.
      É relevante considerar que  os prontuários dos idosos com convênios particulares não puderam ser avaliados, houve falta de registro preciso dos diagnósticos bem como de outras doenças associadas nos prontuários avaliados.
      Segundo Clínica, percebemos que 39% dos pesquisados, foram internados, por clínica cirúrgica, enquanto 61%, clínica médica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Faz-se necessário realizar pesquisas voltadas para a população idosa, especificamente aquelas hospitalizadas a  fim de nortear assistência ao idoso nos serviços de saúde, enfatizando abordagem voltada para a prevenção e promoção da saúde, além de permitir avaliação dos custos hospitalares, bem como otimização dos recursos utilizados para atendimento ao idoso.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1-      BERQUÓ, Elza. Considerações sobre o Envelhecimento da população no Brasil. In: Anais do I Seminário Internacional sobre Envelhecimento Populacional: Uma agenda para o fim do século. Brasília: 1996, pg. 11 – 40.

2-      FUNDAÇÃO IBGE. Características demográficas sócio-econômicas da população. In : Anuário Estatístico do Brasil, 2000.

3-      VERAS, Renato. O Envelhecimento Populacional Brasileiro e o Setor Saúde. In: Papaléo Netto, Tratado de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, Atheneu, 1996.

4-      _______. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, maio-junho 2003.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


ORAÇÃO DO IDOSO


Bem-aventurados aqueles que compreendem meus passos vacilantes e minhas mãos trêmulas.

Bem-aventurados os que levam em conta que meus ouvidos captam as palavras com dificuldade, por isso procuram falar mais alto e pausadamente.
Bem-aventurados os que percebem que meus olhos já estão nublados e minhas reações são lentas.

Bem-aventurados os que desviam o olhar, simulando não ter visto o café, que por vezes derramado sobre a mesa.
Bem-aventurados os que nunca dizem "você já contou isso tantas vezes".

Bem-aventurados os que sabem dirigir a conversa e as recordações às coisas dos tempos passados.
Bem-aventurados os que me ajudam a atravessar a rua e não lamentam o tempo que me dedicaram.

Bem-aventurados os que compreendem quanto me custa encontrar forças para carregar minha cruz.
Bem-aventurados os que amenizam os meus últimos anos sobre a terra.

Bem-aventurados todos aqueles que me dedicam afeto e carinho, fazendo-me, assim, pensar em Deus.

Quando entrar na Eternidade, lembrar-me-ei deles, junto ao Senhor.




DISCUTINDO O ENVELHECIMENTO NO CURSO DE ENFERMAGEM DA UESC

Capítulo 01









Tenho que ter instrução
Pra compreender a miséria
E debater a questão;
O poder sabendo disso,
Destrói a educação.

Francisco das Chagas Farias de Queiroz
Literatura de Cordel





1- INTRODUÇÃO

        O envelhecimento populacional é um fenômeno universal que podemos denominar de revolução demográfica ou revolução da longevidade. Tal fato se explica pelas novas conquistas no campo da medicina preventiva e curativa que têm resultado no aumento da expectativa de vida e no avanço da tecnologia, traduzidos pelo simultâneo decréscimo das taxas de natalidade e migração e diminuição acentuada da mortalidade infantil. Faz-se, portanto, imperativo a busca da conscientização da sociedade sobre fatos ligados à “velhice”, repensando as políticas públicas de atendimento, reivindicando por qualidade e auto-expressão e refletindo sobre as contingências que envolvem essa população de modo a traçar perspectivas para o seu atendimento, bem-estar e valorização.
        Em se tratando de Brasil, segundo dados da Hold Health Statistics Annuals de 1982(PAPALÉO,1996, p.8), “em 2020 ocuparemos o 6º lugar no ranking mundial em população velha, ou seja, teremos aproximadamente 32 milhões de pessoas com 60 ou mais anos de idade”. Esse cenário impõe a necessidade de enfrentarmos o problema das condições de envelhecimento que ocorrem de forma desigual em nosso País e, para a educação e à saúde, cabe um papel ímpar nessas mudanças.
        Enquanto pedagoga e, trabalhando no Colegiado do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, foi possível observar, através de conversas informais com alunos e professores desse curso, uma busca constante de conhecimentos sobre o processo de envelhecer em outros cursos,  a fim de suprir essa necessidade. Essa talvez tenha sido minha primeira motivação para desenvolver este estudo.
        É sabido que o curso de graduação em enfermagem da UESC, através das suas 61 (sessenta e uma) disciplinas, discute o cuidar do paciente em todas as fases da vida. No entanto, em se tratando da velhice, acreditamos que a abordagem é superficial e, quando o enfermeiro vai para o campo de trabalho, se depara com algumas situações relacionadas à assistência ao idoso  sobre as quais  não sabe como agir. Como resposta a constantes discussões e lutas travadas por professores do Departamento de Ciências da Saúde e de outro departamento, a exemplo da profª. Raimunda D’Alencar do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas foi criada, em 25 de outubro de 2001, a disciplina optativa Saúde do Idoso que é oferecida, concomitante a outras disciplinas optativas, sempre que há disponibilidade de professor. Por ser optativa, nem todos os alunos do curso têm conhecimento e acesso às informações relacionadas ao conteúdo programático que  faz uma abordagem sobre o processo do envelhecimento senescente e senil, seus aspectos biopsicossociais, culturais e políticos, considerando o indivíduo como um ser que tem historicidade.
Em entrevista à Revista Idade Ativa Mendes (2004, p.2) destaca que
 “os conhecimentos que dão base ao cuidado de idosos incluem o atendimento às necessidades humanas e às adaptações e mudanças que ocorrem ao longo da vida, devolvendo-lhes as dimensões biológica, psicológica, social, cultural e espiritual”.

Diz ainda a autora, que as estruturas curriculares que orientam a formação dos trabalhadores de saúde e da enfermagem estão solidamente centradas nos determinantes biológicos e baseadas  nos modelos de atenção à saúde, preocupando-se com as doenças do corpo e da mente, com enfoque individual, desenvolvido por especialidades afins à medicina interna, havendo poucas inserções com a geriátria. 
           Portanto, a partir da problemática apresentada e considerando que a disciplina “Saúde do Idoso” é a única que tem o envelhecimento como objeto de estudo, levantamos os seguintes questionamentos: As disciplinas do curso de graduação em enfermagem da UESC discutem conteúdos gerontológicos? Qual a importância dada às discussões sobre o envelhecimento no curso de graduação em enfermagem da UESC? Qual a necessidade de incluir a disciplina Geronto-Geriatria no curso de graduação em enfermagem da UESC?
Na tentativa de obetermos resposta a esses questionamentos, traçamos alguns objetivos:
¨        Analisar a importância dispensada à discussão sobre o envelhecimento pelos discentes no curso de graduação em enfermagem da UESC;
¨        Identificar as disciplinas do curso de graduação em enfermagem da UESC que discutem conteúdos gerontológicos;
¨        Discutir a necessidade  de inclusão da disciplina obrigatória Geronto-Geriatria no curso de graduação em enfermagem da UESC.
Este trabalho consta de três capítulos, onde, no Primeiro, discutimos o objeto de estudo, contextualizando a ciência Gerontologia e a Enfermagem. No Segundo Capítulo, apresentamos o caminho metodológico que orientou o estudo, assinalando o contexto onde a pesquisa se desenvolveu, os sujeitos do estudo, a técnica de coleta e análise dos dados, sem omitir os princípios éticos.
      No Terceiro Capítulo, discutimos os conteúdos referentes ao objeto de estudo, correlacionando-os com os achados da pesquisa, onde apresentamos em duas grandes categorias temáticas:
Ø      A importância da discussão sobre o envelhecimento e o cuidar do paciente idoso no Curso de Graduação em Enfermagem da UESC.
Ø      Inclusão da disciplina obrigatória Geronto-geriatria na grade curricular do Curso de Graduação em Enfermagem da UESC.
























Mensagem 03










ENVELHECIMENTO
                                   E A ENFERMAGEM


“ Muito talento se perde no mundo pela falta de um pouco de coragem. Todos os dias, são mandados para os seus túmulos homens obscuros, cuja timidez lhes impediu fazer um primeiro esforço e que, se pudesse ter sido induzidos a começar, teriam muito provavelmente, ido muito longe em suas carreiras. O fato é que para realizar, no mundo, qualquer coisa digna de ser realizada, não devemos ficar para trás, tremendo e pensando no frio e no perigo, porém devemos pular e disputar da melhor maneira que pudermos”.




Richard Cardinal Cushing





Capítulo 02
 




















 













2– REVISÃO DE LITERATURA

2. 1- A Gerontologia e a Enfermagem

“Envelhecer é uma arte! A idade não é a fuga dos anos, mas o amanhecer da sabedoria! Nós não somos velhos, somos apenas a juventude acumulada!”                            Profª Ms. Érica Verder , 2003

     Apesar da velhice e do envelhecimento percorrerem toda a humanidade e terem estado em pauta desde a Antigüidade através de obras literárias e tratados eruditos como, por exemplo, a obra De Senectude, de Cícero, escrita há cerca de 2000 anos (GOLDSTEIN, 2001), e da Bíblia Sagrada, no livro de Provérbios que assinala que  “os cabelos brancos são uma coroa de honra”, o envelhecimento só emerge e vem se consolidar enquanto fenômeno social de alta relevância neste século, através da Gerontologia e da Geriatria.
     A Gerontologia e a Geriatria desde sua origem mantêm um relacionamento muito próximo. Entretanto, vale salientar que  enquanto a geriatria é uma especialidade médica que trata das doenças ou dos doentes idosos, preocupando-se em prolongar a vida com mais saúde, a Gerontologia é a Ciência que estuda o processo de envelhecimento, cuidando da personalidade e da conduta do idoso, levando em conta todos os aspectos ambientais e culturais do envelhecimento, ou seja, a Geriatria estuda as doenças da velhice e seu tratamento, enquanto a Gerontologia é uma ciência médica e social que estuda não apenas as características da velhice enquanto fase do desenvolvimento humano, mas também, o processo e os determinantes do envelhecimento, concluiu Reboul (1992).
     Concebemos o estudo da velhice e dos processos do envelhecimento da mesma forma que GOLDEINST (2001), como sendo de caráter multidisciplinar, pois não se resume apenas aos aspectos demográficos; sua complexidade exige que seja estudado por diversas disciplinas, sob múltiplos ângulos. Neste trabalho, pretendemos enfatizar sua necessidade para a área de saúde, mais precisamente, para a enfermagem, afinal, a população idosa está presente nos diversos espaços das sociedades, enquanto, a formação gerontológica e/ou geriátrica para cuidá-la, ainda é bastante precária em nossa sociedade. Entretanto, com o aumento crescente de idosos entre nós, entendemos a viabilidade do conhecimento e do cuidado gerontológico, centrado nas necessidades básicas do indivíduo idoso, inclusive para os alunos da nossa Universidade.
     Na tentativa de resgatarmos um pouco da história do curso de enfermagem da UESC, cenário mais apropriado para desenvolvermos nosso estudo, citamos PINTO (2000, p. 135) a qual informa que

“O curso de graduação em enfermagem, foi implantado ainda na vigência da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus/Itabuna - FESPI, conforme Decreto Federal nº 52.497/86,  teve seu primeiro Vestibular em 1987, e, foi reconhecido em 1997, dez anos após o seu funcionamento. Realiza Exame Vestibular sistematicamente e a sua primeira turma formou-se em 1990”.
                                                                                      (PINTO, 2000, P. 135)

            Desde então, houve várias discussões na tentativa de se incluir na grade curricular do curso de enfermagem a disciplina geronto-geriatria, devido a constatação da necessidade de conteúdos programáticos específicos nessa área, os quais seriam de fundamental importância para a prática da enfermagem, haja vista, que a enfermagem tem como objeto de estudo e prática o cuidado humano e fundamenta-se nos conhecimentos  sobre o processo de viver e envelhecer, das ciências biológicas e humanas.
     Essas discussões fortaleceram- se com a Política Nacional do Idoso – PNI, Lei de nº 8.842 de 04 de janeiro de 1994, que prevê, na área da educação,

[...] adequar currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais destinados ao idoso; inserir nos currículos mínimos, nos diversos níveis do ensino formal, conteúdos voltados para o processo de envelhecimento, de forma a eliminar preconceitos e a produzir conhecimentos sobre o assunto; incluir a Gerontologia e a Geriatria como disciplinas curriculares nos cursos superiores; desenvolver programas educativos, especialmente nos meios de comunicação, a fim de informar a população sobre o processo de envelhecimento; desenvolver programas que adotem modalidades de ensino à distância, adequados às condições do idoso; e, apoiar a criação de universidade aberta para a terceira idade, como meio de universalizar o acesso às diferentes formas do saber (BRASIL, 1994, p.4).

     Surge, ainda, um outro documento que reforça a necessidade do preenchimento dessa lacuna. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, aprovadas em 07 de novembro de 2001, pelo então Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, o Sr. Arthur Roquete de Macedo, que ficaram conhecidas como Resolução CNE/CES nº 3,  definem os princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de enfermeiros e determina que

Art. 5º - A formação do enfermeiro tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades específicas: [...] VIII –  Atuar nos programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente, da mulher, do adulto e do idoso.

Art. 6º - Os conteúdos essenciais  para o curso de graduação em enfermagem devem estar relacionados com todo o processo de saúde-doença do cidadão, da família e da comunidade, além de integrados à realidade epidemiológica e profissional, proporcionando a integralidade das ações do cuidar em enfermagem. Assim, devem contemplar:

[...] III – Ciências da Enfermagem [...] b) Assistência de Enfermagem.: Conteúdos (teóricos e práticos) que compõem a Assistência de Enfermagem individual e coletiva prestada à criança, ao adolescente, ao adulto e ao idoso, considerando determinantes socioculturais, econômicas e ecológicas do processo de saúde-doença, bem como os princípios éticos, legais e humanísticos inerentes ao cuidado de Enfermagem” (BRASIL, 2001, p.3.4).

     Por esse motivo, a adequação dos currículos escolares com a introdução de conteúdos voltados para o processo de envelhecimento é uma forma de eliminar os preconceitos preexistentes em nossa sociedade e oferecer aos graduandos melhor preparo para lidar com os clientes idosos e suas necessidades especiais.
     A nível de ajustamento curricular, a fim de alcançar o propósito das Diretrizes em consonância com a Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI), nos últimos anos, tem havido muitos esforços para prover cursos de  gerontologia para os estudantes de enfermagem. Na Bahia, grande parte dos cursos de enfermagem das Instituições de Ensino Superior (IES) tem em sua grade curricular a obrigatoriedade da disciplina GerontoGeriatria. Entretanto, na realidade uesquiana,[1] o que se percebe é o real desinteresse dos alunos, pois existe a disciplina optativa denominada Saúde do Idoso a qual no ano de 2004 foi ministrada a apenas 5 alunos, matriculados no I semestre, não sendo oferecida no II semestre por falta de alunos. Esse dado nos chamou tanto a atenção que fizemos um levantamento histórico desta disciplina  e percebemos que fora legalizada através da Resolução  CONSEPE de nº 18/2001, em 25 de outubro de 2001(CONSEPE, 2001). A primeira turma perfazia um total de 38 alunos matriculados em 2002.1; em 2002.2 – 35 alunos foram matriculados; 2003.1, 19 alunos; 12 alunos em 2003.2. A nossa pesquisa não objetiva levantar a problemática da disciplina em questão, mas acreditamos que não existe um encantamento por parte dos alunos que a fizeram, e esta falta de motivação vem sendo transmitida aos demais alunos.
     SILVEIRA (1995, p. 26) realizou pesquisa sobre a formação acadêmica e as ações de enfermagem voltadas ao idoso nas principais universidades estaduais da Bahia, e segundo ela
 “ o aluno de graduação parece sentir dificuldades em se relacionar com as pessoas idosas doentes, sobretudo na escolha de estratégias para incentivá-las a desenvolver atividades de deambulação, recreação, higiene pessoal ou mesmo coletar informações sobre a doença”.

     A autora afirma, ainda que
“o aluno de graduação, futuro enfermeiro deverá prover-se de noções básicas à sua formação com vistas ao processo do envelhecimento humano, inseridas numa abordagem psico-biológicas e social do desenvolvimento do homem, bem como os principais desvios e distúrbios, relacionando-os aos fatores culturais, sócio-econômicos  e físico-ambientais”.
                                                                                   (SILVEIRA, 1995, P. 26)


    Para Burnside (1968), pioneira em enfermagem geronto/geriátrica, a revisão de alguns aspectos relativos à profissão de enfermagem não é tão desanimadora como pode parecer. Enfermeiros e enfermeiras anseiam por melhor educação, melhores classes e honra à sua profissão. Os profissionais que têm gosto, criatividade e ambição influem sobre muitos colegas e inspiram outros a se ocuparem de pacientes idosos. 
     Segundo a referida autora,
“há necessidade de uma atitude firme  para os profissionais de enfermagem que desejam trabalhar com velhos, posto que, nem todos estão preparados para prestar esse tipo de assistência. Acrescenta que, como professora,  tem observado que muitos estudantes, especialmente os jovens, não pensam acerca de sua própria velhice”.
                                                                                    BURNSIDE (1968, p. 4)

No passado, embora tenham tratado acidentalmente de velhos, as enfermeiras não se consideravam geriátricas e isto, continua ainda sendo uma verdade, pois são educadas em um sistema educacional que divide o tratamento em médico-cirúrgico, cuidado maternal, saúde geral e psiquiátrica. Geralmente, não existe atenção específica voltada para a enfermagem geriátrica e gerontológica. (DAVIS, 1968 apud BURNSIDE 1969),
      Mais adiante, Burnside (1969) cita Moses e Lake (1968) ao afirmar que a enfermagem como profissão, certamente, não está imune às representações negativas da sociedade sobre a idade, o que fica mais evidente se observarmos o currículo de enfermagem em nossas escolas especializadas. Na década de sessenta já escreviam sobre o desinteresse pela velhice por parte da profissão e a escassez de cursos de gerontologia no currículo dos estudantes de enfermagem. (MOSES e LAKE 1968  apud BURNSIDE 1969).
     Essa mesma autora conclui com comentários de Weenig et al (1972) que examinaram as estudantes de enfermagem do programa da Universidade de São Francisco – Califórnia, e reforçaram a necessidade de ser incluída a gerontologia no currículo dos estudantes de enfermagem. Concluíram existir um outro aspecto do problema da enfermagem geriátrica: simplesmente, não existiam professores preparados e qualificados em número suficiente para ensinar enfermagem gerontológica nos cursos existentes.
     Sabemos que a enfermagem, na sua essência, visa atender o indivíduo de forma intra e interpessoal e, para que isso ocorra de forma correta, é preciso haver uma preparação para essa assistência.
     Sobretudo em se tratando da população idosa que demanda atenção de serviços de saúde específicos, o conhecimentos geriátrico e gerontológico específico é fundamental para apreciar possibilidades e dificuldades na tomada de decisões em conjunto com os idosos, familiares e profissionais, estabelecendo uma relação mútua de confiança. Daí justifica o nosso interesse em percebermos o que está sendo feito no curso de graduação em enfermagem da UESC, a nível de discussões, para atender essa demanda.

2.2- Considerações sobre o Envelhecimento Humano

Cada pessoa, na sua individualidade, tem uma experiência única com o processo de envelhecimento. É possível afirmar, que envelhecimento é um processo natural, contínuo e implacável a todo ser vivo exceto, claro, aqueles que morrem ou morrerem prematuramente. São diversas as interpretações e conceituações sobre o envelhecimento, pois não existe uma demarcação precisa para esta fase da vida. Neste sentido, Papaléo, afirma que

[...] ao contrário do que acontece com as outras fases, o envelhecimento não possui um marcador biofisiológico de seu início. Isso justifica a inexistência de uma definição de envelhecimento que atenda aos múltiplos aspectos que o compõem  (PAPALÉO,1996).

Manzolli citado por SILVEIRA (1995, p. 16) referindo-se ao envelhecimento, comenta que a velhice pode ser estudada, tendo-se por referencial o “critério cronológico, o do desenvolvimento físico, sociológico, o psicológico e outros”. Daí surgiram várias considerações sobre os múltiplos envelhecimentos, as quais permitiram diferenciar alguns tipos de idades como descrevemos a seguir:
·        Idade cronológica: define-se pela quantidade de números de anos vividos. É um critério objetivo no sentido de que todas as pessoas nascidas na mesma faixa etária correspondem a idade idêntica. No entanto, essa objetividade simplificada é falha por não poder comprovar os diferentes impactos causados pelo tempo e espaço, a exemplo dos acontecimentos vividos e/ou sofridos e o que as condições ambientais representam para cada pessoa.
·        Idade biológica ou fisiológica: definida pelo declínio  dos órgãos e tecidos.  É um processo lento, gradual e inevitável que difere não apenas de pessoa para pessoa, como também de órgão para órgão.
Ribeiro citado por SILVEIRA (1995, p. 16) fala que

O envelhecimento não se faz de forma total, pois a idade não afeta todos os órgãos e tecidos ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, havendo portanto, uma regionalização orgânica e isto é entendido devido à diversidade e complexidade das células, tecidos e órgãos.

 Discute-se muito, ainda hoje, se o envelhecimento tem início logo após a concepção, no final da terceira década da vida ou próximo ao final da existência do indivíduo. Este aspecto, associado à inexistência de marcadores biofisiológicos eficazes e confiáveis do processo de envelhecimento, como visto anteriormente dificulta uma definição exata (PAPALÉO, 1996).
Vale ainda dizer que as atividades da vida diária, como a classe social, sexo, saúde e o contexto socioeconômico interferem determinantemente nesse processo, aumentando as diferenças de idades entre os indivíduos idosos.
·        Idade psíquica ou psicológica: é muito difícil estabelecer as diferenças a nível psíquico entre indivíduos. Está relacionada as capacidades de aprendizagem, adaptação, memória, percepção e outros. Os acontecimentos externos da vida de cada pessoa, sejam eles de natureza social ou afetiva, impulsionarão uma reação própria de acordo a personalidade, as circunstâncias e as experiências vividas de cada um.
·        E, por fim, a Idade social: o Plano de Ação Internacional sobre envelhecimento das Nações Unidas – ONU (1992), adotou o limite entre o indivíduo adulto e o idoso de 60 anos; em demografia, 60 anos para os países em desenvolvimento e 65 anos para as nações desenvolvidas. A Política Nacional do Idoso – PNI conjuntamente com a Organização Mundial de Saúde – OMS, adotaram 60 anos, enquanto que o Código Penal determina os 70 anos como marco para a velhice. Assim como a idade cronológica, a idade social é importante para efeito de aposentadoria e benefícios, possibilitando assim traçar planos de atenção à saúde física, psicológica e social, sob os aspectos legais.
Os diferentes tipos de idade mostram a dificuldade de se estabelecer com precisão a idade da velhice/velho. Pois estas vão variar consideravelmente a depender das condições locais de desenvolvimento humano, sendo ainda determinadas segundo as necessidades econômicas e políticas do momento. Nos lembra Veras (1996) que, em decorrência das precárias condições de vida nos países em  desenvolvimento, o envelhecimento é mais evidente nas populações mais carente.
Segundo COSTA (1999), o envelhecimento não tem sido encarado ao longo dos séculos da mesma maneira. O seu conceito tem sofrido grandes alterações na forma de ser percebida e sentida, variando de acordo com diferentes culturas e diferente evolução das comunidades. Como enfocamos acima, diferentes idades resultam em diferentes pessoas e, conseqüentemente, diferentes pontos de vistas, a depender de cada sociedade. Em nossa sociedade é bastante comum observarmos a discriminação ao idoso. O Brasil é um país de contrastes e desigualdades, onde são priorizados a força do trabalho e o lucro, valorizando restritamente o novo e o belo, estando a velhice cercada de preconceitos e discriminações.
Não se pode negar que a velhice é uma fase muito delicada por vários fatores, inclusive por ser conhecida como a última etapa da vida, devido a sua aproximação com a morte; nesta, a força física sofre comprometimento e, na maioria da vezes, ocorre  a redução da capacidade psíquica. Essa fase é marcada, ainda, por circunstâncias de perdas e tragédias pessoais ou familiares.
Desse modo, ser velho não é fácil. Por isso, é fundamental, que tenhamos a preocupação de nos preparar para o envelhecimento, criando condições para sua melhor compreensão, construindo os meios e a consciência para uma longevidade digna, buscando e compartilhando informações acerca do processo de envelhecer que é contínuo e inexorável à vida de muitos dos seres vivos. Afinal, para que se viva bem e positivamente à velhice, é necessário ter conhecimento de todo o processo de envelhecimento e de seus determinantes, especialmente aqueles profissionais que cuidarão de pessoas em processo de envelhecimento e envelhecidas.
 


























Capítulo 03
 




















 













3- CAMINHO METODOLÓGICO


“ A vitória não está somente na chegada, mas também no percurso.”
Antõnio Balsalore Leiva




3.1- Tipo de Estudo

Trata-se de um estudo  qualitativo, de caráter descritivo.
            A abordagem qualitativa, como refere Oliveira (1998), trabalha com o universo de significados, crenças, valores e atitudes correspondentes a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis e, através dela, pretendemos, desenvolver uma análise para identificar as diferentes formas dos fenômenos, bem como sua ordenação e classificação, a saber, sobre as discussões sobre envelhecimento no curso de graduação em enfermagem da UESC. Classificamos como estudo descritivo, por entendermos da mesma forma que Triviños (1987, p. 110), que “o estudo descritivo pretende descrever ‘com exatidão’ os fatos e fenômenos de determinada realidade”.
3.2- Período do Estudo

Este estudo foi realizado no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2005, sendo que a coleta de dados compreendeu os meses de novembro e dezembro de 2004.

3.3- Campo da Pesquisa


Estudo desenvolvido na Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, que está  situada no município de Ilhéus-Bahia, entre os pólos urbanos de Ilhéus e Itabuna, a quase 500 quilômetros da capital Salvador. A UESC tem área geoeducacional, além da região centrada nesses pólos, a região do Extremo-Sul da Bahia e tem sido considerada uma das principais instituições de ensino superior nesse vasto espaço do território baiano. Teve sua origem nas escolas isoladas criadas no eixo Ilhéus/Itabuna, na década de 60.
Em 1972, resultante da iniciativa das lideranças regionais e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), as escolas isoladas (Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna, e Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna) congregaram-se, formando a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna - FESPI[2]. Reunidas em Campus, na Rodovia Ilhéus/Itabuna, no município de Ilhéus/Ba, pelo Parecer CFE 163/74, os estabelecimentos de ensino foram ganhando maturidade e competência, criando as condições para pleitear o "status" de Universidade, mantida pela CEPLAC, de natureza privada o acesso a seus cursos tornava-se particularmente difícil, considerando a realidade regional.  Assim, a Federação reorientou-se no sentido de tornar-se  uma fundação pública.
Em 1991, depois de muitas lutas, esse grande anseio tornou-se realidade, estadualizando-se a Federação. Em 05 de dezembro de 1991, o então Governador do Estado, Sr. Antônio Carlos Magalhães, incorporou a FESPI, escola particular, ao quadro das escolas públicas de 3º grau da Bahia, denominada UESC pela Lei 6.344 de 06/12/91.
Em 1995, a UESC teve seu Quadro de Pessoal aprovado pela Lei nº 6.898 de 18 de agosto de 1995, publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia nos dias 19-20 seguintes, ficando reorganizada sob a forma de Autarquia. Emerge, portanto, UESC  como a mais nova IES das quatro mantidas pelo Governo da Bahia, fortemente vinculada à sua região, caminhando rapidamente para ocupar a liderança regional.
A UESC oferece, na graduação, 23 (vinte e três) cursos, além de aproximadamente 40 cursos de especialização nas diversas áreas de conhecimento, a exemplo da área de Ciências da Saúde; Ciências Humanas e Sociais; Letras e Artes; Ciências Exatas e Tecnológicas; Ciências Biológicas e Agrárias, conta ainda com 08 mestrado e doutorado em educação – em parceria com a UFBA. Atende alunos oriundos de várias cidades do Estado da Bahia, bem como de outros estados brasileiros.

3.4-  Sujeitos do Estudo

Os sujeitos deste estudo foram os discentes do curso de graduação em enfermagem da UESC. Não houve nenhum critério de seleção, bastava apenas, que os sujeitos estivessem matriculados em um dos semestres do curso. Para melhor identificação dos sujeitos, atribuímos a cada um deles nomes fictícios (de aves), por acreditarmos neles como seres dotados de inteligência, liberdade e possibilidade de adaptação as situações e espaços novos. Os nomes escolhidos foram: Papagaio, tucano, uirapuru, sanhaço, beija-flor, pica-pau, sangue-boi, azulão, tico-tico rei, curió, pintassilgo, rouxinol, faisão, bem-te-vi, pavão, ganso, pássaro preto, cardeal, marreco, arara azul, pomba, rolinha, águia, andorinha, canária da terra, coleirinha, laranjinha, diamante de gould, cisne, bavette, manom, biguá e araçari.


3.4.1- Considerações Éticas

Nesta pesquisa, tomamos por base a Resolução nº196/96 (BRASIL, 1996), aprovada em 16 de outubro de 1996, pelo Conselho Nacional de Saúde e homologada pelo Ministro da Saúde Adib Jatene, sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos.
Antes de iniciar a pesquisa, encaminhamos solicitação escrita para o Departamento de Ciências da Saúde, bem como ao Colegiado do Curso de Graduação em Enfermagem, informando da nossa pretensão em realizá-la. O instrumento de coleta de dados foi elaborado conjuntamente pela autora e sua  orientadora.
Nesse sentido, fundamentadas nos princípios da bioética, respaldadas pela Resolução 196/97, informamos aos sujeitos, sobre a pesquisa, seus objetivos e benefícios, tendo eles a possibilidade de aceitar participar ou não do estudo.

3.5-  Coleta de Dados

Os dados foram coletados a partir de pesquisa documental e aplicação de entrevista semi-estruturada que, como refere Minayo (1999), “é o procedimento mais usual do trabalho”, através do qual o pesquisador coleta dados a partir da própria fala do ator social com o objetivo de colher dados objetivos e subjetivos (como, por exemplo, a opinião do entrevistado). Esse tipo de técnica é importante por reforçar a importância e o significado da fala, além de permitir uma coleta de dados mais segura e com maior aproximação entre pesquisador e pesquisado.
Esta etapa foi dividida em 2 momentos. No 1° realizamos uma pesquisa no fluxograma e programas de ensino do curso de enfermagem da UESC, fazendo um levantamento do número de disciplinas e quais destas têm conteúdos gerontológicos em seus programas. No 2° momento, realizamos a entrevista semi-estrutura com os sujeitos do estudo.

3.6 – Análise dos Dados

Os dados coletados foram analisados a partir da técnica de Análise de conteúdos, que, segundo Bardin (1977), pode ser definida como sendo um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais sutis em processo de constante aperfeiçoamento, que se aplicam a ‘discursos’ diversificados.
Para Bardin (1977 apud LAVINSKY,2001, p 69) “a técnica de conteúdo é considerada o método mais fácil, mais conhecido e mais útil numa primeira fase de abordagem da maioria dos materiais”.

Procederemos a organização da análise com base em três pólos cronológicos:

a)     A pré análise, que constituiu em leitura flutuante dos dados coletados, a qual possibilitou uma grande familiarização com o material, seguido de uma organização, ou seja,  separação  das questões  - por cores e seleção dos documentos que compõem o corpus do estudo.
b) A exploração do material que possibilitou transformar os trechos da entrevistas em subcategorias para facilitar a compreensão de forma mais clara e objetiva.
c) Análise e interpretação do dados, nesse terceiro pólo cronológico da análise de conteúdo, buscou-se a validade dos dados, a partir das categorias formadas sobre o tema em estudo.
Apresentamos a seguir a representação gráfica que foi possível estabelecer, das categorias temáticas.















PICTOGRAMA –1: Representação Gráfica das Categorias Temáticas


 



























Mensagem 04


















Cuidar


Cuidar é
Paixão, desejo, prazer.
Cuidar, cuidado,
É verbo, é substantivo.

Cuidar é ação que exige qualidade,
Disponibilidade, empatia;
Exige um corpo.
Exige um eu, um tu, um nós.

Exige percepção
E comunicação,
Desprendimento e abertura;
Exige encontro.

Cuidar é construção, reconstrução e reconstituição.
Cuidar é pensar, é preocupação.
Cuidar é movimento.
É projetar-se para o outro e para o mundo;
É o descobrir contínuo de significados.

Cuidar!
É compreender a magia contida no toque,
No olhar e no sorriso, na fala e no silêncio;
É compreender o que seja existir.





(POLAK, 1995)











Capítulo 04












4- ANÁLISE E DISCUSSÕES

4.1- DISCUTINDO O ENVELHECIMENTO ENTRE DISCENTES DO CURSO DE ENFERMAGEM DA UESC

Neste capítulo, organizamos os dados coletados em duas grandes categorias, a fim de facilitar o entendimento como um todo:

CATEGORIAS TEMÁTICAS
SUBCATEGORIAS

A importância da discussão sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso no Curso de Enfermagem da UESC.

Discussões sobre o envelhecimento

Inclusão da disciplina obrigatória Geronto-geriatria na grade curricular do Curso de Enfermagem da UESC.

Geronto-Geriatria como disciplina obrigatória



4.1.1- A importância da discussão sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso no Curso de Enfermagem da UESC.

“ Sem a utopia,
Não existiriam perspectivas,
Nem horizontes profundos.
Sem a ação,
A utopia se desfaria
Em abstração e em
Sonho delirante”.
Pierre Furter, ( s.d.)


Ao serem questionados sobre a importância de discutir sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso no curso de enfermagem da UESC, os estudantes responderam positivamente, especialmente por possuírem um conhecimento prévio, no que diz respeito a nova conjuntura que se redesenha à nossa sociedade:
“O Brasil está mudando significadamente, no que se refere à expectativa de vida, que é cada vez maior.”

Sr. Papagaio
“O aumento da longevidade tem proporcionado maior porcentagem de idosos no mundo.”

Dona Arara Azul
“Discutir o envelhecimento, é estudar a realidade atual da população, e a enfermagem por ter o cuidado como sua essência, precisa discutir e atualizar-se nessa área...”

Sr. Tucano

É interessante notarmos a importância dada à discussão sobre o envelhecimento no âmbito de uma profissão que dia a dia se vê cada vez mais em contato com a população idosa:
“Acho importante essa discussão sobre o envelhecimento e o cuidar do paciente idoso no curso, pois, no cotidiano do exercício da enfermagem, os  profissionais da enfermagem, convivem diretamente com idosos. E esses idosos requerem, sem dúvida, uma atenção diferenciada/especializada, e para que  esta atenção ocorra de forma adequada, a enfermagem precisa estar preparada/capacitada para prestar esse atendimento, que chamamos aqui, de ‘atendimento de qualidade’.
Sr. Uirapuru

Para Leonart (2004, p. 7) “um dos desafios impostos pela atualidade é o processo de envelhecimento populacional que ocorre de forma acelerada e suscita redefinições de papéis e ações para atender à população idosa como uma nova perspectiva do cuidado.”
O processo do envelhecimento está cada vez mais visível. Idosos, hoje, estão presentes nos mais variados espaços da sociedade e basta olharmos cuidadosamente à nossa volta – nos bancos, supermercados, farmácias, festas, igrejas e nas ruas – que comprovaremos essa hipótese com facilidade. No entanto, talvez pelo fato de o Brasil ter sido considerado um país jovem durante muito tempo, não houve uma preocupação com a Atenção à saúde e Políticas Públicas voltadas para o processo do envelhecer saudável e ativo.
          Como apresenta Rodrigues e Rauth (2002, p. 10)
“O nosso país ainda não resolveu problemas clássicos do subdesenvolvimento, como saúde, educação, saneamento básico, habitação, previdência social, transporte, urbanização, etc, e já se depara com essa massa de idosos necessitando de atendimento imediato e urgente”.

Atualmente é muito comum percebermos um grande contigente de pessoas idosas, nas unidades de saúde, nos hospitais, asilos ou mesmo domiciliados, com doenças crônico-degenerativas. Os estudantes do curso de enfermagem da UESC já perceberam essa realidade e demonstram preocupação, conforme mostram as falas a seguir:

“O idoso apresenta maior vulnerabilidade a apresentar problemas de saúde.”
Sr. tucano

 “O idoso adoece mais, e o tempo de recuperação é maior...”,       ou ainda, 
Sr. Sanhaço

“A maior parte dos pacientes atendidos, são idosos.”
Dona Beija-flor

De fato, constatamos o crescente aumento da população idosa em nosso país, o aumento da proporção de doenças crônico-degenerativas, e com isso, um maior número de idosos que buscam os serviços de saúde disponíveis na comunidade:

““...é bastante visível um percentual considerável de pacientes idosos em hospitais, bem como, nos programas públicos de saúde...”
Sr. Pavão

, “....é comprovado que o número de idosos atendidos em hospitais, postos e unidades de saúde, é bastante freqüente, e com maior reincidência...”,
Dona Biguá

“...Esse público já faz parte de nossa clientela...”.
Sr. Marreco

Zimerman (2000) citado por Leonart (2004 p .10) complementa que este aumento da população idosa, ainda, aumenta a demanda por serviços de saúde, bem como, o crescimento de gastos com medicamentos, maiores ocupação de leitos e aumento do período de tempo de hospitalização.
Leonart (2004, p.10) cita também Veras (2003) o qual afirma:
“Devido às características especiais e peculiares dos idosos, o cuidado deve ser diferenciado dos demais grupos étarios. Esse fato coloca o Brasil frente ao desafio de formular novas concepções e modelos de atenção à saúde em que a promoção, a prevenção, a recuperação e a reabilitação não sejam genéricas e simplesmente transportadas para os idosos sem que ocorram importantes e significativas adaptações”.

Daí o motivo pelo qual, é necessário que estes profissionais sejam sensíveis à condição apresentada pelo paciente idoso, que tenham conhecimento do processo de envelhecimento e suas especificidades, e estejam capacitados para prestar uma assistência adequada e especializada principalmente porque, nos variados campos de atuação destes profissionais, sempre existirá, presença significativa de idosos.

“No exercício da enfermagem, nos hospitais e postos de saúde, nos deparamos com muitos idosos, precisando de atendimento”...,
Sr. Sangue-boi

...”precisamos saber cuidar das pessoas idosas.”
Dona Águia

 “O paciente idoso necessita de cuidados especiais e de atenção diferenciada.” ...”
Sr. Azulão

“O profissional enfermeiro, precisa ser treinado e estar apto para atender ao idoso.”
Sr. Uirapuru


Nesse contexto a educação assume um papel fundamental, que é o de capacitar os discentes do curso de enfermagem, futuros enfermeiros, para atender a essa clientela, proporcionando cuidados adequados/especializados, promovendo saúde,  prevenindo agravos e evitando complicações que são comuns nesta fase, o que é reforçado nas falas dos entrevistados:
“O número de pacientes idosos vem crescendo constantemente e os enfermeiros devem estar preparados/habilitados para atender essa demanda.”
Sr. Pica-pau

“É necessário preparar o profissional, enfermeiro para tais competências”.
Dona Pomba

“Seguramente, a educação é o campo mais apropriado para que se desenvolvam ações efetivas acerca do processo de envelhecimento, pelo fato de que é nesta esfera que se desvelam às oportunidades de adquirir conhecimentos e desenvolver competências e habilidades direcionadas ao cuidado da população idosa”. LEONART (2004, p. 14).
Por entender o espaço escolar da mesma forma que Althusser, Bourdieu  e Passeron (1985, 1982) como sendo o espaço institucional privilegiado de produção e transmissão diferenciada, tanto de conhecimento como de valores, contribuindo tanto para a reprodução como para a modificação das relações sociais, acreditamos que “mudanças” vão acontecer. No contexto atual não é possível continuar a reproduzir valores apenas; é necessário haver novos posicionamentos frente à temática do envelhecimento, encarando-o como realidade e, para tanto, todos os setores (saúde, educacional, previdenciário e outros) devem estar mobilizados a fim de resolver a problemática causada pelo rápido processo de envelhecer.
Gadotti (2000, p. 8) ao escrever o livro: “Perspectiva atuais de educação” enfatizou:
“....Cabe à escola: amar o conhecimento como espaço de realização humana, de alegria e de contentamento cultural; selecionar e rever criticamente a informação; formular hipóteses; ser criativa e inventiva (inovar); ser provocadora de mensagens e não pura receptora; produzir, construir e reconstruir o conhecimento elaborado”.

Disse ainda:
“A escola precisa ter projeto, precisa de dados, precisa fazer sua própria inovação, planejar-se a médio e a longo prazos, fazer sua própria reestruturação curricular, elaborar seus parâmetros curriculares, enfim, ser cidadã. As mudanças que vêm de dentro das escolas são mais duradouras”.
GADOTTI, 2000, p. 8)

Neste contexto, Saviani (1991, p.46-50), diz que: “a educação possui um certo grau de autonomia e especificidade, de forma a influenciar, a seu modo, as transformações da sociedade”.
Baseado nessa afirmação podemos deduzir que, em se tratando do curso de enfermagem da UESC, as transformações só poderão ocorrer de forma mais acertada  pelas vias da educação. 
A educação no curso de enfermagem da UESC, deve estar voltada não apenas para as doenças associadas aos idosos, mas ao idoso de forma integral. Isto significa,  ver o idoso, não apenas como um número, cliente e/ou paciente – que precisa de cuidados ou paliativos para sua patologia. É preciso, aprender a ver o idoso como um ser humano que possui historicidade, crenças, valores e  desejos:
“O idoso apresenta características físicas e patologias próprias/freqüentes da idade, mas, não é só isso, apresenta também, maiores experiências.”
Dona Rolinha

“...precisamos também valorizar a sua sabedoria e o que eles fizeram pela sociedade”.
Dona Pomba

Cada indivíduo tem suas individualidades e não poderia ser diferente com o idoso. Portanto, considerar a particularidade de cada um, é o primeiro passo para que a assistência prestada seja humanizada e de qualidade:
“O paciente idoso tem suas peculiaridades e essas devem ser respeitadas claramente”.

Sr. Sangue-boi

Neste contexto, Leonart (2004, p. 20) afirma que
“O idoso precisa de cuidados diferenciados à sua condição física, psíquica e emocional, assim como contar com a possibilidade de tornar-se auto-suficiente e capaz de realizar suas atividades cotidianas de vida. O profissional de enfermagem tem o papel fundamental na prestação de cuidados à pessoa idosa tanto fragilizada como saudável e deve participar da promoção e recuperação da saúde e prevenção da doença”.

Acreditamos que, para que essa valorização ocorra é preciso que se tenha uma base da formação gerontológica, centrada no indivíduo com um todo, um ser psicosocial, cultural, religioso, etc; É preciso respeitar suas queixas, vontades e, porque não dizer, suas manias. A satisfação dessas necessidades pessoais podem constituir-se em melhoras, contribuindo dessa forma, positivamente, para a recuperação do paciente.
Ressaltando a importância da formação gerontológica, Leonart (2004, p. 1001) reforça:
“É importante a formação gerontológica em termos de conformação da área do conhecimento para focalizar o fenômeno do envelhecimento, enquanto senescência e senilidade e, também, as questões que orientam a organização do cuidado ao idoso....”


Porém, para que haja um bom desempenho profissional da enfermagem junto aos idosos, nos seus variados campos de atuação, entendemos como  necessidade primária a disponibilidade de carga horária fixa na grade curricular do curso  para discussões sobre o envelhecimento e o cuidar do paciente idoso, o que também já se constitui direito declarado na Política Nacional do Idoso. A  PNI prevê a inserção de conteúdos voltados para o processo de envelhecimento, a fim de produzir conhecimentos sobre o assunto. E, como  nos lembra Cury (1999, p. 43),
“Declarar é retirar do esquecimento e proclamar aos que não sabem ou se esqueceram que eles continuam a ser portadores de um direito importante. Disto resulta a necessária cobrança de quem de direito quando este princípio não é respeitado”.

Pudemos observar que existem discussões sobre o envelhecimento no curso de enfermagem, entretanto, de forma superficial, generalizada e isolada em conteúdos de algumas disciplinas. De um universo de 61 disciplinas distribuídas em 4 anos, apenas as disciplinas Saúde do Idoso, Saúde Coletiva I e II; Sociologia Aplicada à Saúde; Fundamentos de Enfermagem; História da Enfermagem; Educação em Saúde; Epidemiologia; Nutrição e Dietética; Fisiologia Humana; Farmacologia e Patologia, foram citadas pelos alunos.
Segundo estes, as discussões ocorrem de forma diversificada e por diferentes professores. A temática é apresentada  “através de discussões em sala de aula” (Dona beija-flor) e  “de textos informativos” (Sr. papagaio). Alguns referiram que há discussões “em sala de aula, abordando cuidados específicos” (Dona Arara Azul) e “seminários sobre o processo de envelhecimento e políticas de saúde” (Sr. Tico-tico rei). No entanto o enfoque sempre é dado “ de maneira geral” (Sra. Cisne).
Até o momento poucas são as disciplinas que desenvolvem práticas em instituições de idosos. Nas disciplinas Saúde Coletiva I e II e Saúde do Idoso, as aulas práticas acontecem no abrigo São Vicente de Paula em Ilhéus, e no Núcleo de Atenção Especializada-NAE também no município de Ilhéus.  As demais, aproximadamente 16 disciplinas, desenvolvem suas atividades em unidades pediátricas e de adultos onde também há idosos.
Como evidenciamos nas falas apresentadas, a discussão, é superficial e sem muito comprometimento, embora, defenda este aluno:
“...poderia ser mais aprofundada, mas por falta de tempo o professor não pode ser mais específico; seria preciso, outro complemento, uma disciplina especial”.
Sr. Bem-te-vi


Acreditamos que estas discussões poderiam ocorrer de maneira mais aprofundada, e os recortes das entrevistas evidenciam esse aspecto, que vem acompanhado de sugestões:
“ ...estas discussões podem vir ocorrer de forma interdisciplinar ...”, ...”várias disciplinas podem abordar....”,
Dona Biguá

“Em fisiologia, fundamentos, clínica, coletiva, emergência, semiologia, saúde mental, epidemiologia, ou seja, de forma integrada”. Principalmente,
Sr. Ganso

“Em todas as disciplinas....”,
Sr. Pavão

“Nas disciplinas práticas do curso...”.
Dona Andorinha

“Algumas disciplinas deveriam fazer considerações gerontológicas, através de aulas teóricas e práticas”.
Dona Águia


“ Ao passo que o crescimento da população idosa no mundo está em ritmo cada vez mais acelerado aumenta as demandas nas áreas de prestação de serviço, pesquisa e políticas públicas apresentando-se novos espaços ocupacionais”. (LEONART, 2004 p. 101).
Essa realidade também já foi percebida pelos estudantes do curso de enfermagem da UESC, inclusive, foi possível observarmos, nos discursos, o interesse que os alunos possuem de obter conhecimento/formação na área geronto/geriátrica. Nas falas pudemos identificar, frases como:

“... precisamos conhecer todo o processo de envelhecimento...”,
Sr. Cardeal

“..... preciso aprender e compreender melhor os idosos...” , ainda, 
Sr. Bicudo

“...sinto necessidade pessoal e profissional, desse saber....
Dona Manon

 “o curso bem que pode gerir essa formação”.
Sr. Uirapuru

“O contigente de idosos está aumentando de forma geométrica, constituindo, portanto, um amplo mercado de trabalho”.
Dona Laranjinha


Percebemos que a enfermagem por sua formação técnica, limita-se a trabalhar as patologias relacionadas ao idoso, com atenção voltada apenas para a busca de paliativos ou de curas, não considerando os aspectos biopsicossociais e espirituais representados e vivenciados pelos idoso e sua família. Esse dado, ficou bastante evidenciado nas respostas dos entrevistados, ao referirem sobre as discussões ocorridas em sala de aula, em algumas disciplinas, que na maioria das vezes, estavam centradas nas pluripatologias dos pacientes idosos. É sabido, que apenas uma parcela mínima de idosos vivem institucionalizados e, nesse contexto, é completamente viável que se façam intervenções na comunidade, onde vivem e convivem maior número de idosos.
Observamos ainda que, embora não seja transmitido o encanto do processo de envelhecimento e seus determinantes no curso que é extremamente técnico, um número considerável de alunos demonstram uma identificação pessoal com essa área temática e a pretensão em seguir carreira  na área geronto/geriátrica:

“Gosto dos mais velhos.
Sra. Diamante de Gould

 “É uma área interessante, tenho pretensão de conhecer e gerir esse cuidado”.
Sr. Pica-pau

“Essa faixa etária está em ascensão....
Sr. Bicudo

”Tenho interesse pelo assunto.”.
Dona Araçari

“Tenho afinidade.”
Sr. Pássaro preto

“...Essa área de geronto/geriátria é muito interessante, e com o crescimento populacional senil, causado pelo aumento da longevidade, precisamos saber atuar...”,
Dona Andorinha

“Pretendo seguir carreira nessa área, fazer enfermagem gerontológica ou geriátrica.”
Dona Pomba
“Essa é a profissão do futuro.”
Sr. Bem-te-vi

Ficou-nos ainda bastante evidente, através dos discursos a necessidade que os estudantes do curso de enfermagem da UESC têm de uma formação gerontológica, justamente por saberem que este conhecimento é de extrema importância para uma ação apta e consciente, no exercício de suas funções:
“Sinto necessidade de pelo menos ter uma noção desse processo, bem como de poder propagar o cuidado a idosos”
Dona Arara Azul

Trazemos ainda a discussão a fala de Leonart (2004, p.18) com a seguinte afirmação:
 “A compreensão que existe a respeito da importância de discussões sobre o envelhecimento humano e o cuidar de idosos, está cada vez mais intensa, porém, a alocução não é colocada em prática, não existe movimento por parte da sociedade em fazer com que essa contradição entre o discurso e a prática seja alterada.”(grifo nosso).

Reafirmamos aqui, a necessidade de discussões mais abrangentes sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso, no curso de enfermagem da UESC, no qual consideramos carente de informações e saberes na área de geronto/geriatria, o que pode ser também visualizado nos recortes abaixo:
“Vemos uma deficiência no curso de enfermagem da UESC, no que se refere a conhecimentos sobre os idosos, e esses conhecimentos são de suma importância para o profissional da área de enfermagem.
Sr. Sanhaço

“É necessário haver um maior direcionamento para o assunto do envelhecimento. A velhice é uma fase difícil e requer cuidados específicos e especializados. Desta forma, qualquer estudo na área se faz importante, uma vez que produzirá conhecimentos sobre a temática.
Dona Andorinha


Destacando a opinião dos estudantes do curso de enfermagem da UESC a respeito da importância de discussões sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso no referido curso, foi possível estabelecer uma representação gráfica, apresentada no final dessa categoria, visto de modo geral.
Para eles, a discussão do conhecimento sobre essa temática, permitirá conhecer, investigar, apropriar, agir e intervir a modo que o atendimento e/ou a assistência se dará de forma consciente, apta, especial, digna , justa, merecida e humanizada. Nessa relação capacitada de cuidar,  o maior beneficiado é e será o idoso, tema de nossa preocupação nesse momento.
Contudo, sabemos ainda, que o profissional da área da saúde, em particular, o enfermeiro tem muito a contribuir com a sociedade, principalmente em se tratando de assistência em saúde aos idosos. Mas, para tanto, é necessário que atue com proficiência de conhecimentos, de habilidade, de atitudes éticas e de forma multiprofissional. O que só será possível se a educação, objetivar a formação dos profissionais da enfermagem, com perfil, critico e reflexivo, com competências: técnica, científica, ética,  política,  social e educativa.
















 


 





















4.1.2- Inclusão da Disciplina Obrigatória Geronto-geriatria na Grade Curricular do Curso de Enfermagem da UESC.

“ Toda ação voltada para conhecer e melhorar a vida dos mais velhos compreende um pensar aprofundado, uma ação organizada para evitar o erro da tendenciosidade”
(BOTH, 2002, p. 1111)




                        “Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino  porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.
(PAULO FREIRE, 1998, s..p.)


Considerando que contextualizar significa vincular o que se faz na sala de aula, com a vida e o exercício profissional, ou seja, uma teoria em consonância com a prática, é necessário que o ensino “função social”, esteja voltado para questões do cotidiano. A afirmação acima de Freire diz um pouco da descontextualização referente à disciplina Geronto-Geriatria na grade curricular do curso de graduação em enfermagem da UESC, pois, sabemos que faz parte da prática do enfermeiro prestar assistência a clientes/pacientes idosos e estes precisam estar preparados para atender a essa clientela de forma integral, o que só será possível se houver um comprometimento da universidade, através de ensino aliado à pesquisa, voltados para o envelhecimento e idosos. 
Como nos lembra Santos (2000) referenciado por Leonart 2004, p. 14
“É necessário que as instituições de profissionais de enfermagem introduzam em suas estruturas curriculares conteúdo voltado ao cuidado humano do idoso, assim como, incluam sujeitos que compõem o processo da enfermagem gerontológica, para que possam desenvolver seu trabalho com competência” .

Este posicionamento é defendido pelos sujeitos, quando destacam:

“Precisamos deter o conhecimento, para sabermos lidar nas diferentes situações que venham envolver  o idoso.”
Dona Canária da Terra

“É preciso capacitar os estudantes de enfermagem, para o atendimento ao idoso, o que será inevitável”.
Sr. Ganso

“ Num país onde a previsão é de uma maioria de idosos, é evidente que o curso de enfermagem da UESC  deve ter o ensino (teoria em consonância com a prática) voltado à preparação de seu corpo discente, para atender a essa grande parcela da população.
Sr. Curió

“Nesta fase da vida, o indivíduo idoso carece de atenção, paciência e atendimento diferenciado, para tanto, faz-se necessário um acompanhamento individualizado e com mais tempo.”
Dona Coleirinha

Diante da expressa necessidade de conteúdos voltados ao processo de envelhecimento e ao atendimento ao idoso, nos interrogamos: o que está sendo feito pelo curso em questão, para atender a essas solicitações e demandas?
         PINTO (2000 p. 298) ao estudar a formação do enfermeiro anos 2000: contradições e desafios à prática pedagógica, no curso de graduação em enfermagem da UESC, diz:
“É também necessário ampliar os horizontes em relação à escolha dos conteúdos a serem discutidos e analisados com os alunos, não apenas como acervo teórico mas como base, sustentação da prática, senão haverá o risco de se continuar formando enfermeiros com apenas habilidades técnicas previstas e previsíveis, sem condições de tomarem decisões, nem intervir na realidade em permanente mudança, formando profissionais acríticos de ações padronizadas, seres unidimensionais”.

A mesma autora, acrescenta ainda:
“Consideramos a abordagem pedagógica tradicional, como modelo até então seguido pelo curso de graduação em enfermagem da UESC e os professores não estão atentos ao desacordo entre tal tipo de abordagem e o que se pretende da formação do enfermeiro na atualidade, em conformidade com as Diretrizes Curriculares”.
(PINTO, 2000, p. 298)

Percebemos que pouco mudou desde o estudo desenvolvido acima, até o presente momento, e que atualmente o curso de graduação em enfermagem da UESC, continua funcionando em desacordo com a Resolução CNE/CES nº 3 de 07 de novembro de 2001, que prevê organizações e/ou adequações na grade curricular afim de atender a formação generalista, humanista, crítica e reflexiva do profissional enfermeiro (BRASIL, 2001, p.3).
Esta realidade não é exclusiva da UESC,
Segundo Leonart ( 2004, p.16), “a realidade mostra que os cursos de graduação em enfermagem, mesmo frente ao novo perfil demográfico do Brasil apresentam contradições entre o discurso hegemônico do ensino e a prática profissional. Essas contradições aumentam ao passo em que são determinadas novas prioridades de atenção à saúde e exigido pela sociedade um novo perfil profissional, que seja crítico, reflexivo e atenda às necessidades de implantação do SUS”.

A mesma autora acrescenta ainda que:
“Tais afirmações permitem refletir sobre a realidade dos idosos na sociedade brasileira e perceber que a enfermagem, como integrante da área de saúde e da equipe profissional, precisa estar aberta a mudanças, assim como, compreender os determinantes do processo do envelhecimento populacional e suas implicações no contexto sócio-economico e político, para ter clareza sobre sua atuação como agente de transformação e viabilização de políticas de atenção aos idosos, expressas na PNI”.  LEONART ( 2004, p. 10).


É claro que na UESC, através do curso de enfermagem, ocorreram vários debates em torno da obrigatoriedade de uma disciplina que tratasse do envelhecimento e suas interfaces. Estes debates, consolidaram a disciplina Saúde do Idoso, mesmo que em caráter optativo. Entretanto, esta, não conseguiu atender aos anseios e necessidades dos discentes.  A própria pesquisa vem afirmar que existe uma lacuna de necessidade de uma disciplina/ciência do envelhecimento como componente curricular, como identificada nas falas dos sujeitos:
“O curso carece de enfoque ao idoso.
Dona Rolinha

“...já percebi o pouco enfoque sobre a saúde do idoso,....a UESC tem capacidade de melhorar o ensino e abordar a temática do envelhecimento no curso.
Sr. Faisão

“Uma disciplina só, e ainda por cima optativa, não nos dar base alguma para trabalhar com o idoso de forma holística,... os conhecimentos fornecidos pela disciplina optativa, não são suficientes, e de certo, nem todos os alunos fazem a disciplina.”
Dona Laranjinha

 “Há um despreparo observado, quanto ao ato de cuidar da enfermagem em relação ao idoso, atribuo esse despreparo, a  deficiência curricular existente”.
Sr. Pavão

Identificamos ainda essa carência nas falas seguintes:
“...existem muitos profissionais atuando de forma grosseira e errônea com os idosos, prova de que na graduação não receberam nenhuma orientação...” ,
Dona Pomba

 “...o enfermeiro precisa ter uma visão e vivência maior relacionada a promoção, prevenção e reabilitação da saúde do idoso...”.
Sr. Sangue-boi


A respeito da inclusão como obrigatória da disciplina Geronto/Geriatria na grade curricular do curso de enfermagem da UESC, 98% dos entrevistados opinaram ser de extrema importância a inclusão da disciplina obrigatória geronto-geriatria no referido curso.  Esses resultados assemelham-se com os obtidos na pesquisa intitulada: “A formação acadêmica e as Ações de enfermagem voltadas ao idoso”, realizada em 1995 por Silveira em quatro escolas de enfermagem do Estado da Bahia, onde um total de 96,83% dos  alunos entrevistados, afirmaram positivamente a respeito da obrigatoriedade da disciplina supra citada. Como justificativa a autora coloca que  “a pessoa idosa, de ambos os sexos, apresenta peculiaridades de ordem biológica, psicológica e social; desconhecê-las implica em somar dificuldades na afetiva interação e atuação profissional.” Silveira (1995, p. 26). Já como justificativa da inclusão da mesma disciplina no curso de enfermagem, os nossos entrevistados são enfáticos em dizer:
“É necessário que haja uma disciplina  com essa característica....precisamos sair daqui com uma formação atualizada – de acordo com a realidade social.
Sr. Marreco

“O aluno de enfermagem deve ter um embasamento específico sobre idosos.
Sra. Cisne

“...os conteúdos dessa disciplina, possibilitará melhor atuação, enquanto futuro profissional de saúde, que provavelmente cuidará de idosos.”
Dona Biguá

“A população está envelhecendo, e nós precisamos saber e deter conhecimento sobre essa clientela, para prestarmos uma assistência de qualidade”.
Dona Araçari

Leonart (2004, p. 90) desenvolveu pesquisa sobre A formação gerontológica do técnico em enfermagem: uma abordagem cultural na USP – Ribeirão Preto em 2004, e segundo ela,
Diversos estudos reforçam que a inclusão de conteúdos sobre o envelhecimento, nos currículos de enfermagem promove mudanças e propicia aos profissionais desta área conhecer melhor a população idosa, com a possibilidade de viabilizar condições que levam a uma melhor qualidade de vida.
Leonart (2004, p. 90)

A mesma autora, concordando com Diogo (1995), “também ressalta que os conteúdos e as atividades relacionados à geriatria e gerontologia inseridos nos currículos de enfermagem favorecem a participação do aluno no cuidado direto ao idoso, família e comunidade”. LEONART (2004, p. 90).
Destacamos também a fala deste sujeito:
“...é de fundamental importância a inclusão da disciplina Geronto/Geriatria, haja vista que faz parte da atividade do enfermeiro o ato de cuidar, de promoção e prevenção (grifo nosso).
Sr. Uirapuru


E de fato, considerando a definição de Boff (1999, p.33-34), podemos entender que cuidar (do latim cogitare) é igual a pensar, meditar. Tratar de, zelar. É também “ o que se opõe ao descuido e ao descaso. Representando uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”.
Entendemos estar  presente na citação acima a essência do cuidar, ou seja, a estreita relação que se estabelece entre quem cuida e quem é cuidado, a qual envolve respeito, compreensão e ajuda mútua. É neste contexto que o enfermeiro precisa saber ouvir, ser tolerante e, conhecer as necessidades e peculiaridades do outro, afim de prestar uma assistência adequada e digna.
Para Leonart (2004, p. 7) “um dos desafios impostos pela atualidade é o processo de envelhecimento populacional que ocorre de forma acelerada e suscita redefinições de papéis e ações para atender à população idoso como uma nova perspectiva desse cuidado”.

Daí retomamos o nosso questionamento: o curso de enfermagem da UESC dá subsídio para o cuidar dos clientes idosos de forma adequada e digna?
Lembramos ainda de um questionamento feito por Martins de Sá (1999, p.227) que diz: “ Da maneira como estão concebidos os nossos cursos, estão eles retratando e explicando essa realidade em movimento, una e múltipla ao mesmo tempo?”
A enfermagem é de responsabilidade social, e por este caráter deve ser considerada “razão de ser da sociedade” , ou seja, está a serviço desta, atendendo-a da melhor maneira possível.
Sabemos que os conteúdos gerontológicos não são de todo estranhos aos estudantes de enfermagem da UESC. No decorrer dos oito semestres do referido curso, eles vêem fragmentos do tema, através de discussões em várias disciplinas, como por exemplo: Saúde do Idoso, Saúde Coletiva I e II; Sociologia Aplicada à Saúde; Fundamentos de Enfermagem; História da Enfermagem; Educação em Saúde; Epidemiologia; Nutrição e Dietética; Fisiologia Humana; Farmacologia e Patologia, no entanto, como vimos, essas discussões não são aprofundadas por questão de falta de horário, bem como, por não fazer parte do conteúdo programático, exceto no caso de saúde coletiva II, que tem um item específico para discutir a Política Nacional do Idoso-PNI, seus indicadores de saúde e as medidas de intervenção em nível de prevenção.  Mas, de fato, essas raras discussões, não são suficientes para esgotar a amplitude do tema, o que também vem corroborar positivamente a favor a possibilidade de inclusão obrigatória da referida disciplina.
 Para Cabrera (2000 p. 1135 – 1138) “A formação dos profissionais da área de saúde vem sendo alterada, com o propósito de haver uma formação de profissionais mais comprometidos e sensibilizados com a realidade social e com um melhor entendimento às necessidades do indivíduo idoso”.

            Neste sentido, Mendes(1989) reforça o que já foi dito por Leonart (2004. p. 15) quando ressalta que
 “A inclusão de conteúdos, no currículo de enfermagem, sobre envelhecimento humano poderia ser um marco referencial para a compreensão da natureza humana, no decorrer do ciclo vital, para análise e solução dos problemas de saúde”.

Em se tratando do Estado da Bahia, não tem sido diferente, como dissemos anteriormente. Existe uma grande preocupação, por parte das Instituições de Ensino Superior – IES, em inserir nos currículos da área de saúde, a exemplo do curso de Enfermagem, uma formação gerontogeriátrica, para suprir a lacuna existente.
Para Silva e Brêtas (1997) citados por Leonart (2004, p. 12),
“ Desde a década de 70, alguns cursos de graduação em enfermagem têm destinado espaço acadêmico para a prática da assistência, ensino e pesquisa em enfermagem gerontológica e geriátrica. As novas diretrizes do currículo do curso de graduação em enfermagem apontam a necessidade de incluir a saúde do idoso, dentre o eixo orientador do curso de vida”.

A esse respeito, vale ainda ressaltar, que várias mobilizações estão sendo feitas, a exemplo de reuniões promovidas pela ABEn - Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Bahia, com o objetivo de desenvolver ações de sustentabilidade para implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN para os cursos de enfermagem, como mostra o ANEXO C.
Considerando a necessidade de inclusão da disciplina geronto-geriátrica, para que os discentes do curso de graduação em enfermagem da UESC, possam ter uma formação em enfermagem geronto-geriátrica, nada mais justo que definirmos seu conceito, objetivo e campo de atuação.
Para Gonçalves e Alvarez (2002 p .757) a  Enfermagem Gerontológica “designa os cuidados preventivos e de promoção da saúde das pessoas que envelhecem”, enquanto a Enfermagem Geriátrica “designa os cuidados dirigidos a pessoas idosas doentes ou institucionalizadas”.
É neste sentido que o profissional da enfermagem deve atuar como educador em saúde, buscando alternativas e ações assistenciais que promovam a saúde.
      “ Faz parte da atividade do enfermeiro, o ato de cuidar, de promoção e prevenção da saúde...”
Sr. Tico-tico rei

“ .... inevitavelmente no futuro trabalharemos com pessoas velhas, por isso, o curso de enfermagem deve prover conhecimentos na área,
Sr. Rouxinol

....preciso saber não apenas cuidar do doente é preciso saber prevenir a doença, promover saúde...
Sr. Pintassilgo

 Gonçalves e Alvarez (2002) afirmam ainda que, na área do ensino, é notório o esforço no sentido de incluir a disciplina da especialidade de enfermagem gerontogeriátrica nos cursos de graduação. Assinalaram também, que esta é uma especialidade da enfermagem que vem se organizando recentemente, para se constituir num corpo de conhecimentos específicos, aliado a um rol de habilidades práticas apropriadas, já acumuladas pela experiência. Essa concepção de Enfermagem Gerontogeriátrica prevê a integração de todas as dimensões do viver da pessoa idosa – as conhecidas e as que estão pra ser desveladas – para a promoção do viver saudável e exaltação da vida no processo de envelhecer, através da utilização dos seus potenciais, das suas capacidades, dos recursos, do meio e das condições de saúde, evoluindo para um contínuo desenvolvimento pessoal.
Um outro conceito que podemos citar é o da Organização Pan-americana de Saúde, que vê a Enfermagem Gerontológica como:
“um serviço de saúde que incorpora aos conhecimentos específicos de enfermagem, aqueles especializados sobre o processo de envelhecimento para estabelecer, no idoso e ao seu redor, as condições que permitam, entre outras, aumentar as condutas saudáveis e minimizar e compensar as perdas de saúde e as limitações relacionadas com o idoso” . 

Lueckenotte (1999) citado por Leonart (2004, p. 34) fala que
“A enfermagem gerontológica acompanha a perspectiva de enfoque multidisciplinar do envelhecimento humano e representa o trabalho do enfermeiro voltado para a avaliação do estado de saúde e funcional do idoso, como base para o diagnóstico, o planejamento e a implementação do cuidado de saúde, também, dos serviços destinados a atender às necessidades identificadas e da avaliação de eficácia desse cuidado.”

Quanto ao campo de atuação, sabemos que o enfermeiro está apto a desenvolver várias atividades como atividades de assistência, administração, ensino, pesquisa e integração nos vários níveis da atenção básica, sejam esta: primária, secundária e/ou terciária. Atuando desta forma, em domicílios, asilos, casa geriátricas, centros, hospitais, ambulatórios, postos de saúde, comunidades e outros.

“Com a formação geronto-geriátrica é possível ocupar os novos mercados de trabalho que estão surgindo”.
Dona Arara Azul


E como lembra Cabrera (2000, p 1138) o enfermeiro com formação gerontológica e/ou geriátrica pode atender ainda, nas seguintes modalidades: Atendimento domiciliar; Atendimento ambulatorial; Atendimento hospitalar; Atendimento em cuidados paliativos; Unidades de reabilitação; Hospital dia; Projetos de extensão universitária; Universidade aberta à terceira idade; Programas da saúde da família; Grupos de convivência; Instituições asilares; Organizações não-governamentais e Programas de pré-aposentadorias.
Entretanto, a educação precisa estar a serviço da sociedade. E a visibilidade inconteste da velhice em números, impõe a necessidade de apropriação desse conhecimento.
“os enfermeiros precisam saber sobre a velhice, para saber lidar nas diferentes situações que envolvem o idoso.”
Dona Bavette

Eis aqui uma das funções sociais da educação – a de produção do conhecimento.
Freire (2003) acredita que a educação é uma forma de intervenção no mundo, que não é neutra, nem indiferente, mas que pode implicar tanto no desmascaramento da ideologia dominante, como-o mantê-la.
“Atualmente, a educação é chamada para cumprir o papel fundamental de elaboração de políticas, estratégias e ações embasadas no desenvolvimento humano, levando em conta uma de suas fases. Para que ocorra essa educação é necessária uma concepção mais aberta que responda as demandas individuais e coletivas visando a autonomia dos indivíduos e a transformação pessoal num mundo que, também, está em transformação”.
Palma; Cachioni (2002) apud Leonart (2004, p, 99)


Santos e Ludh (2001) citado ainda por Leonart (2004, p. 91) “acreditam que a inserção de conteúdos gerontológicos, nos currículos de enfermagem é a melhor maneira de desenvolver o real interesse e conhecimento profissional para se cuidar de pessoas idosas”.
Portanto, a inclusão de uma disciplina obrigatória voltada para o envelhecimento no curso de enfermagem da UESC, possibilitará uma aproximação entre estudantes e envelhecimento, ou seja, interação entre o sujeito e o objeto, resultando assim, em investidas mais acertadas de intervenções na comunidade, que é onde vive a maioria dos idosos.
A esse respeito Janete de Sá  (p.1124) diz:
 “Entre o real percebido da educação gerontológica e o seu “devir”, abre-se um horizonte de possibilidades que inauguram algo de “novo”. É preciso aceitar o desafio e fazer brotar formas de educação mais orgânicas, mais integradas, mais potentes, mais humanas e mais cidadãs “.

Podemos retomar Cabrera (2000, p. 1135-1138) que afirma:
“é necessário que se busque o amadurecimento acadêmico dessas atividades no campo da gerontologia, com o desenvolvimento de um modelo pedagógico que tenha o aluno como centro de processo de ensino-aprendizagem e uma definição clara dos objetivos a serem atingidos”.

É relevante a inclusão da disciplina Geronto-geriatria na grade curricular do curso de graduação em enfermagem, uma vez que esta poderá incentivar os discentes a estudar e acompanhar a evolução do conhecimento, no que se refere aos processos de mudanças bio-fisio-psico-sociológicas do envelhecimento, bem como, ao  processo de transição epidemiológica populacional do envelhecimento, de modo a contribuir na definição e/ou criação de medidas de intervenções.
Neste sentido, segundo Leonart (2004, p. 15)
“alguns estudos relataram experiências realizadas experiências realizadas nos cursos de graduação em enfermagem em que foram inseridos nos currículos, conteúdos e/ou prática da assistência ao idoso, e permitiram confirmar que a introdução de novas práticas possibilitou a formação de profissionais conscientes e capazes de prestar assistência de enfermagem voltada às diferenças e necessidades do idoso.”

Vale destacar os objetivos da Enfermagem Gerontológica, conforme apresenta Duarte (1996, p 224):
“ 1. Assistir integralmente ao idoso, à sua família e à comunidade na qual estiver inserido, auxiliando sua compreensão e facilitando sua adaptação às mudanças decorrentes do processo de envelhecimento.

2. Desenvolver ações educativas nos níveis primário, secundário e terciário de atenção à saúde do idoso.

3. Estimular a participação ativa do idoso e, quando necessário, de sues familiares, em seu processo de autocuidado, tornando-o (s), desta forma, os principais responsáveis pela manutenção de seu melhor nível de saúde e bem estar.”
É inegável que o envelhecimento populacional suscita a necessidade de maior número de pessoas profissionalmente preparadas para lidar com idosos. E os nossos cursos precisam trazer à tona a questão do envelhecimento e travar discussões conjuntamente com os alunos, professores, as associações profissionais, e com a sociedade.
Neste sentido, acreditamos que a inclusão da disciplina Geronto/Geriatria consubstanciada no currículo do curso de enfermagem da UESC, permitirá a esses estudantes uma estreita relação sujeito-objeto-conhecimento, possibilitando desta forma a compreensão do envelhecimento em suas dimensões conceituais, sociais, políticas, profissionais e éticas. Acreditamos ainda, que esta proposta é possível, necessária e legítima.
A situação real do curso de enfermagem da UESC é composta por uma grade curricular que contempla as fases: pediátrica e adulta, ficando descoberta as outras fases do desenvolvimento humano, que são elas a hebiátrica e idosos. Essa realidade possibilitou a criação do pictograma de nº 03 apresentado no final desta categoria, o qual mostra a situação real e a desejada.
Smeltzer e Bare (1994) citado por Leonart (2004 p. 11) ressaltam que
“a enfermagem gerontológica oferece assistência de enfermagem abrangente a pessoas idosas e atua como defensora de seus direitos orientada pela abordagem holística colaborando com a equipe de saúde, (...) o conhecimento do processo de envelhecimento e o respeito pessoal, pode auxiliar na desmistificação da velhice”.

Mas, vale ainda justificar com a fala de três autores brasileiros que dizem: 
“A constituição da gerontologia como área do saber e de atuação profissional não é o resultado automático da existência de um problema social. Em vez disso, é um subproduto da reflexão sobre a velhice e o envelhecimento e do interesse em prolongar a vida humana, preocupação que vêm mobilizando indivíduos ao longo da história das sociedades”.
 (PERRACINI, NAJAS, BILTON, 2002. p. 819)





DESEJADA:
 
REAL:
 
PICTOGRAMA – 3: Grade Curricular do Curso de Graduação em Enfermagem da UESC.







































Mensagem 05



 
















Os 12 mandamentos da Geriatria




1º Mandamento:  Um organismo central supramunicipal de coordenação é um preliminar indispensável
2º Mandamento: A aglomeração urbana deve ser repartida em sectores sociais com relativa autonomia
3º Mandamento: A mistura de idade é obrigatória
4ª Mandamento: Há que manter a pessoa no ambiente habitual
  Mandamento: A manutenção de uma actividade é indispensável para a preservação da saúde psíquica e mental
6º Mandamento: O enquadramento e a participação do idoso na comunidade
7º Mandamento: Quando a habitação própria já não apresentar condições, deve-se procurar um local seguro e agradável para o idoso
8º Mandamento: Os equipamentos colectivos devem assegurar a subsistência normal do idoso
9º Mandamento: O serviço hospitalar de geriatria impõe-se com serviço de reinserção social
10º Mandamento: Deve-se manter os laços entre os diferentes serviços (família, domicilio, lar, hospital)
11º Mandamento: Impõe-se uma preparação para a reforma
12º Mandamento: As pessoas que cuidam dos idosos devem ser formadas




  
De Hugonot de Grenoble, 1968, adaptado por Luís Jacob , site http://www.socialgest.pt/gerontologia.htm acessado em 10 de dezembro de 2004.

















Considerações Finais







 

 

 

 

Considerações Finais


“O idoso conserva suas faculdades se mantiver vivo seus interesses”.
Cícero (s.d.)

Frente ao crescimento da população idosa no nosso país, o que têm traduzido em uma demanda de pacientes idosos tanto na comunidade quanto nos hospitais e unidades de saúde, a área da Gerontologia e Geriatria têm se expandido velozmente e exigido uma nova postura da sociedade para atender a essa demanda. Em se tratando da assistência de enfermagem a clientela idosa, essa exigência é ainda mais visível, onde espera-se que a assistência venha ocorrer de forma diferenciada e especializada.
Neste contexto, é completamente viável, que se façam investidas em educação e saúde, a fim de sensibilizar e capacitar os indivíduos para essa nova ordem mundial. A partir desse princípio, sentimos a necessidade de estudar como está sendo discutido o envelhecimento e o cuidar do idoso no curso de enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC, haja vista, que essa universidade encontra-se entre as principais Instituições de Ensino Superior do Estado da Bahia (IES-BA), oferece graduação em enfermagem, além de colocar no mercado de trabalho aproximadamente 90 (noventa) profissionais, só da enfermagem, ao ano.
      Para a realização deste estudo, destacamos como objetivos Analisar a importância dispensada à discussão sobre o envelhecimento pelos discentes no curso de enfermagem da UESC; Identificar as disciplinas do curso de enfermagem da UESC que discutem conteúdos gerontológicos e Discutir a necessidade  de inclusão da disciplina obrigatória Geronto-Geriatria no curso de enfermagem da UESC.
Utilizamos a entrevista como técnica de coleta de dados e apresentamos esses dados em duas categorias temáticas.
Na primeira categoria denominada “A importância da discussão sobre o envelhecimento e o cuidar do idoso no Curso de Enfermagem da UESC”, fizemos um levantamento das disciplinas que discutem conteúdos gereontológicos, bem como, a importância dispensada a essa temática pelos discentes. Foi possível percebermos como dado relevante, que durante o curso de enfermagem, o qual perfaz um total de 3.825 horas exigida e distribuída em 04 anos de duração, os estudantes do referido curso, tem contato com conteúdos gerontológicos, no entanto, argüimos, que essas discussões não são suficientes para instrumentá-los na prática.
Podemos então inferir que, no contexto unesquiano, uma parcela significativa de enfermeiros estão sendo formados sem o devido preparo para assistir ao idoso. Este fato, comprova a necessidade de conhecimentos e ações mais efetivas, voltadas ao idoso, devendo ser estas, contempladas em uma disciplina especial, a qual atribuímos no decorrer deste trabalho a nomenclatura Geronto/Geriatria por entendermos como duas ciências que se complementam. Possibilitando desta forma, discussões sobre todos os aspectos que envolvem a senescência, bem como, o atendimento amplo e satisfatório às necessidades  do idoso.
Na Segunda Categoria, ”A Inclusão da disciplina obrigatória Geronto-geriatria na grade curricular do Curso de Enfermagem da UESC”, levantamos uma discussão a respeito dessa necessidade e o resultado foi bastante favorável. Tal fato, nos possibilitou embasamento e segurança da real prioridade e necessidade do curso, que foi estudado, sob o olhar dos discentes, possibilitando assim, a definição da nossa proposta final.
Sugerimos como proposta final de nosso trabalho, a implementação de uma disciplina, com carga horária teórica e prática, voltada para o processo de envelhecimento e o cuidar do idoso, não apenas o idoso institucionalizado/asilado, mas, também, o idoso que vive na comunidade. Consideramos como argumentos plausíveis para inserção da referida disciplina, a possibilidade de poder estar atendendo as aspirações dos estudantes do curso de enfermagem, possibilitando desta forma, preparo e maturidade para o exercício profissional.
Temos consciência que este tema não se esgota por aqui, e que muitas serão as possibilidades e probabilidades de discussões futuras. Mas,  temos esse trabalho como o “começo”, e acreditamos que esse “começo”,  pode vir a contribuir para reflexão da enfermagem, de educadores, dos estudantes,  profissionais da área da saúde e afins. 
Vale salientar que este trabalho, representou para nós um desafio - com retornos positivos, no que se refere a valorização e crescimento pessoal. Esperamos ainda, num futuro próximo, colhermos deste,  frutos.






[1] Universo de discentes e docentes que fazem a Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.
[2] Disponível em: <http://www.uesc.br>